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O que é um caso Covid? O que nos dizem os números

É correto classificar os casos de testes positivos como “novas infeções”? O que nos dizem os números?

No artigo sobre os casos Covid-19 falámos sobre as dúvidas que muitos cientistas têm sobre o que representam e a forma como estão a ser interpretados os resultados positivos dos testes PCR, nomeadamente a possibilidade de muitos casos serem falsos positivos e outros positivos não infecciosos. 

Caso essas preocupações tenham fundamento terão de se manifestar forçosamente na relação entre os casos e as mortes relacionadas com a doença. Então o que dizem os dados?

Relação entre os casos detetados e a mortalidade

Quer a nível global quer na europa, o número de casos tem disparado sem correspondente aumento da mortalidade. Podemos verificar isso a nível global.

Mesmo em países em que a mortalidade “por Covid-19” aumentou no início do Outono, como Portugal e Espanha, os casos são desproporcionais às mortes registadas. 

Há outras possíveis explicações para o fenómeno: melhores tratamentos, menos população vulnerável, maior testagem a grupos pouco vulneráveis, menor sensibilidade à doença ligada à sazonalidade, etc. 

No entanto, o efeito de muitos falsos positivos e de positivos não contagiosos não poderá ser descartada como uma ou até a principal razão desse desfasamento. Alguma evidência com casos reais aponta já nesse sentido, mesmo com testes de grande fiabilidade.

A percentagem de falsos positivos e de positivos não infecciosos é incerta e pode variar bastante de país para país. No entanto, será sempre muito significativa, especialmente com a estratégia seguida em países como Portugal. Por isso, os resultados dos testes PCR devem ser interpretados com cautela. Considerar os casos de PCR positivos como “novos infetados” pode ser enganador.

Chamar “casos de covid-19” ou “infetados por Covid-19” é ainda mais errado. Os testes PCR são um bom instrumento na deteção do vírus (Sars COV- 2) mas não da doença ativa (Covid-19) em pessoas sem sintomas.  Grande parte das pessoas que testa positivo para o vírus, mesmo que esteja realmente infetada, não desenvolve a doença. 

Tal como com este coronavírus, os influenza responsáveis pela gripe não provocam, em muitas pessoas, sintomas. Imaginemos que se fazia este teste para detetar o vírus influenza em pessoas sem sintomas. Os casos positivos seriam todos de pessoas com gripe? 

Dadas as circunstâncias não devemos por isso considerar que os casos positivos são confirmações absolutas de infeções e, muito menos de doença. Podem, no entanto, caso exista consistência na testagem (quantidade, tipo de teste, estratégias seguidas), juntamente com outros dados como a percentagem de testes positivos, ser um indicador da evolução da prevalência da doença. 

*Artigo realizado em colaboração com Tiago Pimentel.

Professor Carl Heneghan (Universidade de Oxford)

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