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Sete ideias populares, mas erradas sobre a pandemia

1- Um teste positivo por PCR corresponde a uma infeção ativa pelo vírus

Na realidade um teste PCR positivo pode apenas confirmar a presença de parte do vírus, não consegue identificar se a infeção está ativa (com potencial contagioso). O material viral inativado pode-se manter muito tempo após a infeção e ser detetado pelo teste. Isto é especialmente verdade quando são necessários muitos ciclos de ampliação (CT) para sua deteção.

A OMS alertou recentemente para esse problema:

“O guia da OMS Testes de diagnóstico para o SARS-CoV-2 afirma que é necessária uma interpretação cuidadosa dos resultados positivos fracos.”

“Os ciclos (Ct) necessários para detetar o vírus são inversamente proporcionais à carga viral do paciente.”

Para além disso, há a possibilidade de falsos positivos. A sua percentagem aumenta em cenários de baixa prevalência do vírus.

Esse facto também foi novamente salientado pela OMS:

“A OMS lembra os utilizadores de IVD que a prevalência da doença altera o valor preditivo dos resultados do teste – conforme a prevalência da doença diminui, o risco de falso positivo aumenta.”

“Isso significa que a probabilidade de uma pessoa com resultado positivo (SARS-CoV-2 detetado) estar realmente infetada com O SARS-CoV-2 diminui à medida que a prevalência diminui, independentemente da especificidade alegada.”

Há igualmente a possibilidade de contaminações da amostra em diversas fases do processo.

A probabilidade do teste positivo corresponder a uma infeção ativa aumenta bastante quando ele é usado para confirmar o diagnóstico a quem apresenta sintomas compatíveis com a doença.

2- Uma morte classificada “por Covid” é sempre uma morte provocada pelo vírus

A OMS decidiu tornar a doença de registo obrigatório e emitiu orientações para a atribuição da causa de morte à doença. 

“…Uma morte por COVID-19 é definida para fins de vigilância como uma morte resultante de uma doença clinicamente compatível, num caso provável ou confirmado de COVID-19, salvo se existir uma causa alternativa clara de morte que não pode estar associada à doença COVID (por exemplo, traumatismo).”

Nessas orientações cabem, além de casos confirmados da doença, casos prováveis ou suspeitos da mesma (sem confirmação por teste laboratorial).

Mesmo essas orientações são seguidas de forma diversa e por vezes contraditórias. Sendo umas mais inclusivas e outras menos, mesmo dentro do mesmo país e variando no tempo

Por exemplo, vários países, como o Inglaterra, classificam uma morte por Covid quando ela ocorre dentro de 28 dias após um teste positivo confirmado.

“O governo britânico e as administrações autónomas concordaram em publicar o número de mortes que ocorreu no prazo de 28 dias após um resultado positivo Covid confirmado diariamente pelo laboratório.”

GOV.UK- Comunicado de imprensa Reino Unido (12 August 2020)

3- Vírus não sequenciado

Outra ideia comum é a de que o vírus Sars-CoV-2 nunca foi isolado.

Provavelmente nunca houve outro vírus tão analisado como este. O seu genoma já foi sequenciado milhares de vezes. Muita dessa informação está armazenada no repositório de dados genómicos Gisaid.

4- Existem evidências de alta qualidade a comprovar um efeito substancial do uso máscaras na comunidade

A generalidade das revisões sistemáticas que incluem RCTs (estudos de qualidade máxima) apontam para reduzido ou nenhum efeito na contenção das doenças respiratórias. O único RCT realizado com máscara de pano (trabalhadores da área de saúde) sugeriu a possibilidade de aumentar a propagação.

O RCT publicado até ao momento que decorreu durante a pandemia não conseguiu encontrar diferenças estatisticamente relevantes entre os grupos de máscaras (cirúrgicas de alta qualidade) e de controlo. A atualização da revisão sistemática da Cochrane (influenza) também concluiu que usar máscara faz pouca ou nenhuma diferença.

Vários estudos de baixa ou média qualidade (fiabilidade) apresentam resultados (correlações) inconsistentes ou contraditórios.

Declaração OMS (Dezembro 2020):

No momento, há apenas evidências científicas limitadas e inconsistentes para apoiar a eficácia do uso de máscaras por pessoas saudáveis ​​na comunidade para prevenir a infeção por vírus respiratórios, incluindo SARS-CoV-2.

Medidas de saúde pública não farmacêuticas para mitigar o risco e o impacto da epidemia e pandemia de gripe- Qualidade da evidência (OMS, pág. 26, Janeiro 2021):

“Há uma qualidade geral moderada de evidência de que as máscaras faciais não têm um efeito substancial na transmissão do vírus influenza.”

5- A evidência aponta para que as escolas aumentem muito a transmissão

Há vários meses que evidência aponta para que a abertura das escolas tenha um impacto limitado na propagação da doença. Isto parece ser particularmente claro para jovens até aos 16 anos de idade.

OMS Coronavirus disease (COVID-19)- Schools (18 September 2020):

“ O papel das crianças na transmissão ainda não é totalmente compreendido. Até ao momento, poucos surtos envolvendo crianças ou escolas foram relatados. No entanto, o pequeno número de surtos relatados entre professores ou funcionários associados até o momento sugere que a disseminação de COVID-19 dentro de ambientes educacionais pode ser limitada.”

ECDC Covid-19. Technical report. ECDC. 23 Dec 2020:

“Onde a investigação epidemiológica ocorreu, a transmissão nas escolas foi responsável por uma minoria de todos os casos COVID-19 em cada país”.

6- Vacinas por RNAm alteram o DNA

As vacinas por RNAm funcionam pela introdução de uma molécula de RNA mensageiro, que dá instruções para a produção de uma proteína semelhante a uma das proteínas que compõem o SARS-CoV-2 (proteína de superfície- “Spike”).

A partir desse momento as células imunológicas reconheçam essa proteína viral e geram uma resposta imunológica contra ela, nomeadamente gerando anticorpos. Deste modo, espera-se potenciar a proteção.

Segundo o CDC:

“Elas não afetam ou interagem com nosso DNA de forma alguma.”

“O RNAm nunca entra no núcleo da célula, que é onde nosso DNA (material genético) é guardado.”

“A célula quebra-se e livra-se do RNAm logo após terminar de seguir as instruções.”

Embora existam dúvidas legítimas sobre as vacinas RNAm, modificar o DNA não é uma delas.

7- A atual pandemia é comparável com a gripe espanhola em termos de mortalidade

Existem inúmeras diferenças substanciais entre ambas as pandemias, por exemplo:

Contexto histórico: Na “gripe espanhola” a propagação foi feita, em grande parte,  por milhares de soldados da 1ª guerra mundial, muitos feridos ou doentes.

O principal agente causador das mortes: Existe forte evidência que a grande maioria das mortes resultaram de infeções bacterianas e não do vírus em si. Embora sejam comuns infeções secundárias, esta foi a última pandemia em que não existiam antibióticos.    

Perfil das vítimas: A gripe espanhola atingiu bastante os jovens e os saudáveis, particularmente os menores de cinco anos e pessoas entre os vinte e os quarenta anos.

As vítimas da Covid tendem a ser bastante idosos e com doenças prévias associadas. Por exemplo, um estudo oficial feito em Itália, um dos países mais atingidos, estimou que a mediana de idade das vítimas foi de 82 anos e que tinham uma média de 3,6 doenças prévias associadas. Apenas 3,3% não apresentavam patologias associadas.

Impacto na mortalidade

PandemiaAnoNúmero de mortes estimadoMortalidade pop. Mundial (aprox.)
Gripe “espanhola”1918-1920-50 milhões 2-3%
“Gripe asiática”1957-19581-4 milhões0,034- 0,138%
“Gripe de Hong Kong”19681-4 milhões0,028%-0,113
“Gripe A”2009± 362 5000,005%
Covid-192020-2 227 420 * **0,029% *
* Até à data (02/02/ 2021) | ** “Morte por covid”; mortes identificadas

Fontes: OMS ; Worldometers.

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