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INSA: Pico de contágios terá ocorrido antes do fecho das escolas. R(t) em queda desde o início de janeiro

De acordo com o relatório do Insa, o pico dos sintomas terá ocorrido por volta da altura do fecho das escolas, dia 22 de janeiro. Considerando que desde o contágio até ao desenvolvimento de sintomas decorrem alguns dias (5-6 de média), então o fecho de escolas terá ocorrido dias após o pico dos contágios, e já com estes em queda.

Fecho de escolas- 22 de Janeiro

Também a evolução da estimativa do R(t) (índice de transmissibilidade) apresentada pelo INSA aponta nessa direção. Desde o início de janeiro que começa uma descida do índice (com ligeiras oscilações), a partir de dia 19 esse valor baixa continuamente.


Evolução R(t) em Janeiro e início de Fevereiro (Dados RT do INSA)

Um R(t) acima de 1 equivale a um crescimento da epidemia. Abaixo de 1 corresponde a um decréscimo da mesma.

De notar igualmente o paralelismo da evolução das curvas dos registos de casos (que temos de considerar com reservas) entre Portugal e Espanha. Portugal com números maiores do que Espanha (ao contrário da primeira vaga), mas com picos praticamente no mesmo dia. Este dado indicia que fatores comuns podem estar na origem da evolução das curvas.

Our World in Data (Casos por milhão de habitantes)

Um dado que ainda é mais fiável é o número de mortes diário. A Gapminder, a partir de dados do CDC, estima como período típico da infeção até ao registo da morte cerca de 3 semanas (21 dias), e indica um tempo médio global de 26 dias (acrescentando casos menos usuais).

Assim, o pico das mortes por Covid também sugere que as infeções que levaram a esse máximo terão ocorrido bastante tempo antes, neste caso no início de janeiro.

Várias possibilidades têm sido levantadas para justificar a evolução dos casos:

Celebrações de Natal

Alterações nos contactos interpessoais relacionados com o período do Natal que podem ter feito aumentar os contágios.

Onda de frio

Sabemos que, para além do grande impacto no aumento da mortalidade, especificamente em Portugal, as condições atmosféricas influenciam de inúmeras formas a incidência de infeções respiratórias. Os mecanismos são vários, uma das relações de causalidade mais bem estabelecida é entre o tempo frio e seco e este tipo de doenças.

De acordo com o Boletim Climatológico Mensal – IPMA. Dezembro 2020:

“O mês de dezembro, em Portugal continental, classificou-se como frio em relação à temperatura do ar normal, face à precipitação.” “Valores médios da temperatura média do ar inferiores ao normal nos períodos 3 a 6 e 24 a 31, sendo de salientar, neste último período, os valores de temperatura mínima muito inferiores à normal mensal, com o dia 27 a registar um valor médio no continente inferior a 0°C.”

De acordo com o Boletim Climatológico Mensal – IPMA. Janeiro 2021:

“O mês de janeiro, em Portugal continental, classificou-se como muito frio e seco… As três primeiras semanas de janeiro foram extremamente frias com valores da temperatura máxima e mínima do ar muito inferiores ao valor da normal climatológica 1971-2000. Este episódio de tempo frio foi caraterizado pelo carácter prolongado (mais de 3 semanas); …”

Sazonalidade do vírus

As condições atmosféricas associadas a outros fatores, como o aumento de imunidade, parecem induzir um comportamento sazonal a muitos tipos de vírus, nomeadamente a coronavírus.

Com a progressão para a fase endémica da doença, essa sazonalidade poderá ser mais vincada.


Potencial impacto da sazonalidade na pandemia SARS-CoV-2

Medidas e comportamentos individuais

Vários responsáveis, nomeadamente os cientistas que aconselham o governo, acreditam que a maioria dos efeitos se devem a medidas que recomendaram, nomeadamente, o confinamento geral e fecho de escolas.

Alterações comportamentais individuais, como o maior o distanciamento físico, também poderão ter efeito relevante nos contágios.

Alterações no nível da imunidade comunitária

Aparentemente o nível de imunidade em Portugal era muito baixo. Com uma segunda vaga maior poderá ter aumentado bastante e já ter algum impacto na evolução da epidemia.

Alterações ao nível dos testes usados

Mudanças na quantidade (por exemplo, antes e depois do Natal), na estratégia de testagem ou nos protocolos dos testes PCR (como os ciclos necessários para ser um caso positivo) ao longo deste período também podem influenciar a evolução dos casos.

Anexo:

DataRt (número de reprodução)
01/01/20211,235127
02/01/20211,228706
03/01/20211,227057
04/01/20211,243853
05/01/20211,241833
06/01/20211,230534
07/01/20211,214728
08/01/20211,20156
09/01/20211,167419
10/01/20211,135112
11/01/20211,12116
12/01/20211,118119
13/01/20211,121653
14/01/20211,135275
15/01/20211,15681
16/01/20211,15906
17/01/20211,150179
18/01/20211,156438
19/01/20211,144488
20/01/20211,139336
21/01/20211,128848
22/01/20211,101069
23/01/20211,07736
24/01/20211,060642
25/01/20211,037471
26/01/20211,012038
27/01/20210,976863
28/01/20210,936841
29/01/20210,900047
30/01/20210,873485
31/01/20210,845604
01/02/20210,798873
02/02/20210,773579
03/02/20210,749769
04/02/20210,73321
05/02/20210,722229
06/02/20210,719444
07/02/20210,713884

 RT do Insa
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