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Editorial BMJ: Encerramento das escolas não tem por base a ciência e prejudica as crianças

Cerca de 8,8 milhões de crianças em idade escolar no Reino Unido têm sido afetadas com o encerramento prolongado das escolas e cancelamento de exames nacionais durante dois anos consecutivos. Num editorial  publicado no BMJ (British Medical Journal), quatro investigadores ingleses defenderam que o encerramento das escolas tem sido uma medida implementada internacionalmente com provas insuficientes do seu papel na minimização da transmissão da covid-19, e sem consideração para os danos nas crianças.

Apesar de admitirem que o encerramento de escolas possa reduzir o número de contactos das crianças e diminuir a transmissão, os investigadores lembraram que um estudo com 12 milhões de adultos no Reino Unido não encontrou qualquer diferença no risco de morte por Covid-19 em agregados familiares com ou sem crianças.

A aprendizagem presencial aumenta a exposição dos professores e pode ser esperado que aumente o seu risco de infeção, mas a acumulação de provas mostra que os professores e o pessoal escolar não estão em maior risco de admissão hospitalar ou de morte por Covid-19 em comparação com outros trabalhadores.

O documento indica ainda que o risco global para as crianças e jovens da Covid-19 é muito pequeno, e que a síndrome hiperinflamatória é extremamente rara. Estão em curso estudos para avaliar o efeito da síndrome pós-covid entre as crianças.

Crianças são importantes fontes de transmissão?

O papel das crianças na transmissão comunitária não é claro. Estudos recentes que têm por base os testes PCR mostram que cerca de 0,5-1% das crianças têm um resultado positivo. O encerramento das escolas não permitiu analisar a propagação da nova variante nas escolas. Estudos realizados na Austrália, Noruega, Suíça, Itália e Alemanha, que testaram todos os indivíduos, independentemente dos sintomas, encontraram taxas de transmissão baixas, particularmente entre as crianças do ensino primário.

Ainda de acordo com o documento, os estudos modelares internacionais que indicam que o encerramento das escolas tem um efeito significativo na redução das taxas de transmissão não têm em conta a introdução quase simultânea de outras intervenções múltiplas (incluindo lockdowns, recolher obrigatório, encerramentos de bares e restaurantes, menor circulação devido a teletrabalho, entre outras medidas). Uma revisão sistemática de estudos observacionais mostrou que nos estudos com menor risco de enviesamento, os encerramentos de escolas não tiveram qualquer efeito discernível na transmissão da SARS-CoV-2.

Os danos nas crianças estão estudados

As lacunas na aprendizagem, a redução da interação social, o isolamento, a diminuição da atividade física, o aumento dos problemas de saúde mental, e o aumento dos cenários de abuso, exploração e negligência são questões associadas ao encerramento de escolas. A redução do rendimento futuro e da esperança de vida estão associadas a uma menor educação. As crianças com necessidades educativas especiais ou que já estão em desvantagem correm maiores riscos de serem prejudicadas.

Um relatório de 2019 indica que 2,3 milhões de crianças em Inglaterra viviam em ambientes domésticos inseguros com violência doméstica, abuso de drogas ou álcool, ou problemas mentais graves entre os pais. “É provável que estes danos a longo prazo sejam ampliados por novos encerramentos de escolas”, dizem.

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