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Filmagem expõe risco de contaminação de amostras em laboratório Covid

Um vídeo gravado com câmara oculta dentro de um dos maiores laboratórios de testes Covid do Reino Unido mostra um elevado risco de contaminação das amostras devido ao mau manuseamento dos equipamentos.

A filmagem, feita por uma repórter da BBC infiltrada, mostra os técnicos a:

-Processarem as amostras de uma forma errada

– Descartarem procedimentos de segurança criados para evitar contaminação de amostras (misturar amostras, limpar amostra com um tecido, etc)

– Descartarem testes que não estavam identificados sem recorrerem ao segundo fator de identificação – uma prática que acontece frequentemente de acordo com os técnicos.

– Deixarem os esfregaços nos seus tubos quando processados, apresentando um risco de contaminação adicional

O vídeo grava inclusive um cientista de controlo de qualidade a dizer ao repórter que a qualidade dos resultados piorou progressivamente ao longo do dia. Esta filmagem levou os especialistas a questionar a forma como o laboratório estava a funcionar.

De acordo com o diretor do Biodiscovery Institute da University of Nottingham, Chris Denning, é praticamente inquestionável que isto “conduza à contaminação“.

Isto significa que algumas das pessoas que fizeram os testes através da NHS Test and Trace possam não ter recebido o seu resultado, ou ter recebido o resultado errado”, diz o artigo da BBC.

Mau processamento das amostras

À margem dos outros problemas, um dos pontos mais polémicos do vídeo incide sobre o incorreto manuseamento das amostras no robô do processo de testagem.

O robô processa oito testes de casa vez. Recolhe uma pequena amostra de cada um e coloca-a na lâmina de teste onde é posteriormente analisada a presença do vírus que causa a Covid-19.

A filmagem revelou más práticas que potenciam a contaminação das amostras.

 – Para poupar tempo, os esfregaços foram deixados dentro dos tubos, em vez de serem removidos primeiro. Por vezes, estes esfregaços eram apanhados pelas pipetas do robô, levantados e caíam sobre outras amostras.

 – Algumas amostras mais espessas ficavam penduradas nas pontas das pipetas dos robôs, a pingar sobre outras amostras quando eram transferidas para a lâmina de teste.

O que dizem as regras?

As regras indicam que, em caso de suspeita de contaminação, o processo deve ser interrompido. Mas o vídeo mostra que alguns técnicos não o fizeram e adotaram comportamentos não recomendados – empurrar os esfregaços com a luva, limpar as lâminas infetadas com outras amostras com lenços de papel, etc.

Se uma solução estiver infetada … com milhões de partículas, com a vibração pequenas gotas vão espalhar-se naturalmente em todas as direções“, explicou Denning.

Em conversa com a repórter dois cientistas admitiram que “viam centenas de amostras em placas de teste que pensam estar contaminadas.” Outra cientista dizia que “a qualidade dos resultados era muitas vezes melhor no início de cada turno”, e que piora progressivamente. Na última hora do dia, “metade da placa é lixo“.

Laboratório já tinha sido referenciado por más práticas

O laboratório Milton Keynes, gerido pela empresa sem fins lucrativos – UK Biocentre – já tinha sido referenciado por más práticas em outubro do ano passado.

Na altura, a UK Biocentre garantiu estar a “endereçar todas as questões”, mas as queixas continuaram.

À BBC o laboratório indicou que a taxa de positivos acompanha a média do Reino Unido, dando garantias de que os seus resultados são robustos e dignos de confiança.

Defende ainda que as conclusões são “uma representação incompleta e selectiva” dos seus esforços, e que o laboratório tinha estado “a funcionar num período de enorme pressão” devido à segunda vaga da pandemia.

O laboratório opera “em conformidade com as melhores práticas da indústria“, e foi recomendado para acreditação pelo regulador.

O governo indicou que vai investigar estas alegações.

A filmagem foi feita por uma repórter da BBC infiltrada, que trabalhou durante 18 turnos com uma equipa do laboratório no processamento de amostras de testes PCR. Durante este período, este laboratório processou entre 18 000 a 40 000 testes Covid por dia. A capacidade é de 70.000 testes de coronavírus por dia.

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