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A origem: Conclusões das sequências genéticas recuperadas (parte 2)

Após o atribulado processo para descobrir a sequência genética do início da pandemia que foi misteriosamente retirada dos arquivos do NIH, Bloom produziu um artigo sobre essa descoberta.

Nele estão presentes várias considerações importantes.

Origem e há quanto tempo circulava o SARS-CoV-2

O investigador explica que apesar da dúvida sobre o que levou ao aparecimento do SARS-CoV-2 (salto de espécie natural ou acidente laboratorial) existe um consenso de que os vírus ancestrais são coronavírus de morcegos.

A sequenciação e a tentativa de reconstrução da evolução do SARS-CoV-2 permitiram verificar que os vírus recolhidos no mercado de Wuhan estão mais afastados dos vírus de morcegos do que de outros recolhidos na China e, até mesmo, noutras regiões.

Essa evidência indica ser improvável que o vírus tivesse tido origem no mercado como foi sugerido durante muito tempo, mesmo em artigos científicos. Pelo contrário, fornece fortes indícios de que o vírus já circulava muito antes.

Ambas as conclusões não são inéditas e corroboram evidências anteriores que sugeriam que o vírus estava em circulação há mais tempo, inclusive noutros países.

Provável tentativa de esconder os dados genéticos

O investigador considera que:

Não há razão científica plausível para a exclusão: as sequências são perfeitamente concordantes com as amostras descritas em Wanget al.(2020a,b), não há correções no artigo, ele afirma que a aprovação foi obtida, e o sequenciamento não mostra evidências de contaminação de plasmídeo ou amostra-para-amostra. Portanto, parece provável que as sequências foram excluídas para obscurecer sua existência.

Bloom conseguiu acesso aos e-mails em que é solicitada a exclusão dessa informação. Num desses e-mails o pedido é justificado com dificuldades em atualizar os dados nesse arquivo e é dito que o estavam a fazer noutro site.

No entanto, Bloom afirma não encontrar essa informação nas principais bases de dados genéticos ou relatórios conjuntos da OMS-China.

Pouca fiabilidade dos dados científicos

Assim, se alguns dos achados de Bloom apenas reforçam suspeitas já existentes, o maior impacto talvez seja mesmo na comunidade científica e na reduzida fiabilidade de alguns dados apresentados sobre a pandemia. O autor reforça essas suspeitas pelo controlo exercido pelo governos chinês sobre a informação científica.

Numa publicação complementar, Bloom nota ainda que os dados desapareceram igualmente do Banco Genético da China (CNGB). Tal ocorreu pouco depois da sua remoção do Sequence Read Archive (no NIH).

Confiança de descobertas futuras sobre a origem do SARS-CoV-2

Apesar dos dados conhecidos não darem muitas pistas sobre a origem e a disseminação inicial do vírus, o autor está “cautelosamente otimista de que dados relevantes adicionais ainda devem vir à tona”.

Aconselha que se devem evitar discussões dogmáticas e concentrar em duas perguntas: (1) Como podemos obter mais dados? (2) Como podemos analisar melhor os dados que temos?

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