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A vacinação dos jovens no contexto atual

Um tema actual de grande discussão é a necessidade de vacinação de crianças e jovens, entre os 12 e os 17 anos, e o alargamento possível para o grupo etário dos 5 aos 11 anos.

Apesar de várias críticas de pediatras e associações, em Portugal acabou por se implementar a vacinação em massa dos 12 aos 17 anos. Tal como aconteceu aliás recentemente no Reino Unido, apesar de, também lá, o conselho científico ter desaconselhado essa hipótese.

Justificações da DGS

Na conferência de imprensa da DGS (10 de Agosto), essa opção foi justificada pela Dra. Graça Freitas por alguns dados recentes, que minimizam os riscos de miocardite e de pericardite em jovens.

Já o  dr.  Luís  Graça, porta-voz da comissão técnica  de vacinação da  DGS afirmou que “que o maior benefício dos maiores de 12 anos é o seu bem-estar psicológico, social e educacional”. 

Ora, ambas as justificações apresentadas devem merecer alguma reflexão. 

A primeira justificação da Dra. Graça Freitas, só por si não pode servir como justificação. Claro que um nível de segurança elevado é importante, mas será sempre uma condição necessária e nunca uma condição suficiente. Isto é verdade para a vacinação ou para qualquer medicamento ou intervenção terapêutica.

A DGS baseou a sua decisão em 3 estudos sendo que o que teve maior peso e que foi referido por Graça Freitas foi o estudo do CDC. Entidade que farei outro artigo sobre a sua actuação ao longo desta pandemia.

Por outro lado, a lógica de vacinar por uma questão psicológica, social ou educativa não faz sentido. Nunca se receitaram placebos ou medicamentos com risco/benefício duvidosos, para as pessoas se sentirem psicologicamente bem ou socialmente integradas. 

Além do argumento usado de oferecer  “tranquilidade”, não existe uma clara vantagem em vacinar este grupo etário, para além de haver várias contra indicações:

1- As vacinas em uso não estão aprovadas, tem apenas autorização condicional de marketing

Mesmo que venham a ser aprovadas em breve, não deixam de ser recentes e ainda há imensas questões sobre a duração da sua eficácia. Não sabemos se podem haver reacções adversas a médio/longo prazo e temos poucos meses de dados reais.

2- A mortalidade de crianças saudáveis devido à  COVID-19 é extremamente rara ou inexistente 

Existem apenas 5 óbitos registados em Portugal dentro deste grupo etário em ano e meio de pandemia. Todos com comorbidades graves associadas. Infelizmente não temos acesso às bases de dados anónimas dos óbitos em Portugal.

Recentemente, no Reino Unido, fizeram algo pouco comum, mas que deveria ser essencial para a transparência e rigor. Fizeram um um estudo aos óbitos com menos de 18 anos associados a COVID, e entre o que é publicado e a realidade há uma enorme distorção.

Morreram 61 pessoas com menos de 18 anos com um teste positivo nos 28 dias anteriores (mortes COVID).

Apenas em 25, a COVID foi a causa contributiva (41%), os restantes (59%) morreram por outras causas. Apenas 6 dos 25 não tinham doenças associadas, graves conhecidas ou registadas.

Assim, de um total de 469.982 casos positivos, 6 morreram sem doença associada registada, 19 morreram com outras doenças graves associadas e 36 foram óbitos por mera atribuição por um teste positivo mas sem doença COVID.

Ou seja, a letalidade já baixa que é publicada pelos boletins ao público de 0,012% na realidade é de 0,005% como causa contributiva ou causa directa. Como causa directa (sem doença associada) a letalidade é de 0,001%.

Atenção que os 6 casos são por ausência de registo de comorbilidades, não significa que não existam por falta de detecção ou registo. Também estamos sempre a falar de CFR “Case Fatality Ratio” (em casos detectados), a IFR “Infection Fatality Ratio” (em todos os casos de infecção) será inferior (pois muitos não são detectados).

Este estudo vem mostrar a necessidade urgente de fazer uma auditoria aos óbitos para aferir a sua causa e qual o papel da doença nos mesmos, uma vez que é detectada uma grande disparidade entre os números oficiais e os óbitos como causa contributiva directa.

Outro estudo de Stanford chega à mesma conclusão, de que existe uma sobre-estimação das hospitalizações de crianças positivas ao SARS-CoV-2.

3- As crianças (até 16 anos) transmitem significativamente menos

Por razões que não se sabe, as crianças e os locais que frequentam são, em geral, seguros. Países que nunca fecharam as escolas, como a Suécia, onde nem se impõe o uso de máscara, não se observa transmissão activa significativa entre crianças ou de crianças para adultos. Raramente são os primeiros casos identificados em surtos no lar familiar.

A abertura de escolas não tem sido, de uma forma geral, relacionada com o aumento da transmissão na comunidade.

4- A probabilidade de complicações neste grupo é maior na vacina que na doença

Os jovens raramente morrem ou precisam de ser hospitalizados devido à doença. Não faz sentido submeter diretamente a sintomas (normais da vacina), ou possíveis reações adversas mais graves quando as complicações ou sintomas da doença são usualmente ligeiros.

No passado não era recomendado e era considerado anti ético expor crianças saudáveis a crianças com sarampo para ganhar imunidade (antes de haver vacina). Neste caso, estamos a expor a um tratamento que pode ter maior probabilidade de complicações (mesmo que baixa) que a doença. 

O caso mais evidente desse risco acrescido é o da mio/pericardite, especialmente em jovens vacinados do sexo masculino.

5- Há sinais de sub-notificação alarmantes

Além de não haver uma campanha da necessidade de notificar as reações, mesmo que ligeiras das vacinas, também não se informam activamente as pessoas como fazê-lo.

Tal é incompreensível e não permite aferir, de forma rigorosa, a qualidade e o benefício/risco das vacinas da COVID-19 enviesando qualquer análise.

Há vários estudos, mas é muito difícil aferir aproximadamente qual a dimensão deste problema.
6- Não sabemos a duração da eficácia nem a capacidade de prevenção de infecção

Tendo em conta os pontos anteriores, há também a acrescentar que não sabemos ainda quanto tempo dura a protecção das vacinas e a real capacidade de evitar infecção ao longo do tempo (embora se saiba que é sub-optimal).

7- Existem terapêuticas em desenvolvimento para tratamento de casos potencialmente mais severos 

Na possibilidade de surgirem novos medicamentos com efeito na redução de sintomas ou gravidade da doença, não faz sentido submeter um grupo etário a um risco (mesmo que reduzido) quando em futuro próximo poderá haver outras soluções.

8- Não existe evidência que suporte a tranquilidade psicológica dos jovens e crianças

O argumento utilizado como o factor psicológico de “tranquilidade” dos jovens e crianças é baseado apenas em opiniões e sem evidência. Não há estudos que as crianças fiquem mais tranquilas e que a vida das crianças melhore só por esse facto.

Mesmo que houvesse maior tranquilidade, a pressão que existe pode dever-se a factores externos que facilmente podem ser resolvidos, tais como as medidas existentes nas escolas: desinfecções constantes, bolhas, distanciamentos forçados e uso de máscara.

Conclusão

Baseado em factos e na evidência, não existe uma razão lógica para uma vacinação massificada de jovens e crianças. A ausência de debate claro, sem tabus e com transparência geram ainda mais desconfiança e impedem uma avaliação séria.

Infelizmente durante esta pandemia, tudo o que contrarie o unanimismo instalado é alvo de censura, o que é o oposto ao rigor, espírito científico e sentido democrático.

*Rui Lima, Gestor

**Texto de opinião escrito sem acordo ortográfico

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