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É preciso coragem para se ser de direita?

Recentemente, um amigo de um amigo abordou-me nas redes sociais, e gabou a minha «coragem» para falar sobre alguns temas – como a imigração – sem receio de ser apelidada de «facha» ou de «extrema-direita». A minha primeira reacção foi de contentamento, e agradeci-lhe pelo elogio. Entendi a sua admiração; de facto, nos dias que correm, não é qualquer pessoa que arrisca posições controversas acerca de assuntos tão delicados como a imigração, a agenda LGTB, ou o feminismo (que também já critiquei). Enfim, não é fácil expressar opiniões de «direita»; temos sempre de abordar estes temas com pinças e muita cautela para não dar azo a interpretações erradas, injúrias ou ‘cancelamento’.

Alguns dias mais tarde, porém, quando recordava aquelas palavras, a emoção predominante não era mais de agrado nem orgulho; mas sim um misto de espanto com indignação. Pensei: em que mundo louco vivemos, e em que sociedade doentia nos tornámos, para que a simples crítica a esta imigração descontrolada seja um acto tão audaz e corajoso que justifique aquele apreço?  

Não é que só agora me tenha apercebido da hostilidade para com aqueles que divergem do consenso instituído sobre a suposta «necessidade» da entrada massiva de imigrantes. Não é de agora, e já todos nos apercebemos do fenómeno; muitas vezes designado por «wokismo» ou «politicamente correcto». Mas, naquele momento, a indignação fervilhava em mim. Por que motivo opiniões como as minhas não são encaradas com a mesma benevolência que as do «centro» e da «esquerda»? Até quando é que, enfim, será preciso «coragem» para assumir posições ditas de «direita»?  Porque tantas pessoas (e muitos jovens) têm de camuflar as suas crenças, opiniões, e fingirem ser aquilo que não são porque, de contrário, serão mal-vistos, ostracizados e prontamente qualificados como sendo de «extrema-direita»? 

Depressa me lembrei de o meu cabeleireiro ter-me confessado, há dias, que nunca diz bem do Trump perto dos seus clientes porque «ninguém gosta dele»; embora concorde com algumas das suas medidas. Ou de quando, há um par de anos, numa pós-graduação em Comunicação Política, ouvi uma docente e assessora do PSD dizer que o partido não se atreve a contrariar certos dogmas LGBT por medo de eventuais repercussões por parte das «minorias barulhentas». É lamentável, mas para muita gente – na sociedade civil, na academia e na política – a autocensura é um exercício diário. 

Nestas alturas, fica cristalina a hegemonia cultural dos valores «wokistas» (conotados com a esquerda, mas subscritos também por moderados e liberais), que se tornaram verdades incontestáveis. Os dissidentes desta ideologia não são apenas pessoas com visões diferentes; são como apóstatas. Têm algum problema, algo de errado – pior; são más pessoas. 

A verdade é que o «conservadorismo» é uma palavra feia; e ter opiniões de «direita» é como ter um segredo podre que se deve guardar. Uma vergonha que tem de se enterrar no dia-a-dia, e que apenas se pode expressar na ‘intimidade’ do voto ou na segurança de um perfil falso nas redes sociais. Algo que somente se confia a um punhado de amigos e familiares próximos (por vezes, talvez até nem isso).  

Hoje, alguém assumir-se de direita perante a sociedade parece requerer a mesma coragem que os homossexuais precisavam de ter, até há uns anos, para «sair do armário». 

E eu questiono-me, honestamente: até quando? 

A resposta depende da «coragem» que outras pessoas tenham para se fazerem ouvir e para enfrentarem o bullying velado a quem assume posições inconformistas sobre a imigração, o activismo LGBT, o feminismo, ou as «alterações climáticas».

Se proclamar opiniões discordantes sobre a imigração é, hoje, um acto de coragem semelhante a escalar o Monte Kilimanjaro, que seja. Mas que, um dia, deixe de ser. 

Quanto mais gente ousar contrariar as narrativas dominantes, mais perto estaremos de um glorioso dia, em que aqueles que perfilham ideias diferentes (que se convencionou serem de «direita») já não terem de se encolher como se fosse algo indigno e censurável.

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