Agência ambiental dos EUA apaga referência à acção humana nas alterações climáticas e enfatiza causas naturais

ByMaria Afonso Peixoto

17 de Dezembro, 2025

A Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) removeu do seu site oficial a referência à intervenção humana como sendo a principal causa das alterações climáticas, passando a enfatizar, sobretudo, os fenómenos naturais para explicar as mudanças no clima. Entre eles, estão factores como as alterações na órbita da Terra, variações da actividade solar ou alterações nas concentrações naturais de dióxido de carbono.

Desafiando o que se tornou ‘consensual’, a Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) considera que a acção humana (através dos combustíveis fósseis e dos gases com efeito de estufa) não está por trás das alterações climáticas, e decidiu, agora, eliminar por completo essa referência do seu site oficial. Deste modo, em vez das causas humanas, a EPA fala sobretudo em fenómenos naturais para explicar as mudanças no clima.

Hoje, a secção online dedicada às “causas das alterações climáticas” refere apenas que “os processos naturais sempre influenciaram o clima da Terra e podem explicar as mudanças climáticas anteriores à Revolução Industrial, no século XVIII”. Mas acrescenta-se que, “no entanto, as mudanças climáticas recentes não podem ser explicadas apenas por causas naturais”.

Dentro da categoria dos fenómenos naturais, a agência norte-americana menciona os seguintes factores:  alterações na órbita e no eixo de rotação da Terra, variações da actividade solar, mudanças na reflectividade (de luz solar) do planeta, actividade vulcânica, e alterações nas concentrações naturais de dióxido de carbono.

Há dois meses, EPA responsabilizava os humanos pelas alterações climáticas

Em Outubro, de acordo com a agência noticiosa Associated Press, a EPA ainda apresentava, na mesma página, uma versão bastante diferente – e totalmente alinhada com a “oficial” –, segundo a qual as emissões libertadas pelos humanos desde a Revolução Industrial são a explicação central para as alterações climáticas.

“Desde a Revolução Industrial, as actividades humanas libertaram grandes quantidades de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera, o que alterou o clima da Terra. Processos naturais, como mudanças na energia solar e erupções vulcânicas, também afectam o clima da Terra. No entanto, eles não explicam o aquecimento que observamos ao longo do último século.”

Agência apostada no “Grande Regresso Americano”, rejeita “ordens do culto do clima”

Através de um esclarecimento dado pela sua porta-voz, Brigit Hirsch, a agência ambiental demarcou-se da linha seguida pela Administração de Joe Biden, esclarecendo que, agora, já não acata “agendas políticas de esquerda” nem ordens do “culto do clima”.

“Ao contrário da administração anterior, a EPA de Trump está focada em proteger a saúde humana e o ambiente enquanto impulsiona o Grande Regresso Americano, e não agendas políticas de esquerda”, afirmou Hirsch num e-mail citado pela Associated Press. “Assim, esta agência já não recebe ordens do culto do clima”, vincou.

A porta-voz disse ainda que, para aqueles que “procuram pérolas”, o conteúdo que foi entretanto eliminado se encontra “arquivado e disponível ao público”.

Saliente-se que, além desta remoção das actividades humanas como a causa principal das alterações climáticas da página da EPA, a actual Administração dos EUA tem tomado outras decisões que contrariam o chamado “consenso” sobre as alterações climáticas. Em Julho deste ano, por exemplo, a Associated Press reportou que alguns sites governamentais que continham relatórios sobre o clima haviam “desaparecido”.

“Cientistas climáticos” acusam Administração Trump de mentir

A actuação da agência ambiental americana tem gerado contestação por parte de alguns ‘cientistas climáticos’ e também de antigos funcionários. É o caso do ex-governador republicano Christie Todd Whitman, que liderou a EPA durante o mandato de George W. Bush, e considera que “é revoltante que o nosso governo esteja a esconder informações e a mentir”.

Entre os críticos que prestaram declarações à Associated Press, incluem-se também Daniel Swain, um cientista da Universidade da Califórnia, que diz que o texto “agora está completamente errado”, e Jane Lubchenco, que foi directora da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera do presidente Obama.

O actual director da EPA, recorde-se, é Lee Zeldin, um dirigente do Partido Republicano.

Fontes

EPA eliminates mention of fossil fuels in website on warming’s causes. Scientists call it misleading

Causes of Climate Change | US EPA

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