Há 20 anos que o Ártico não perde gelo marinho

Nova investigação contraria previsões catastrofistas sobre degelo no Ártico.

Ao longo de muitos anos, inúmeras notícias alertam para perdas do gelo no Ártico, tendo até sido previstos verões sem gelo na região a partir de 2020. Esse tem sido, aliás, apresentado como um dos indicadores mais claros e conhecidos das alterações climáticas induzidas pelo homem, por exemplo pelo Copernicus (2024) e pelo IPCC (2021). No entanto, e apesar das emissões de gases com efeito de estufa continuarem a aumentar, dados reais (e não estimativas de modelos) mostram que há 20 anos que não existe uma diminuição estatisticamente significativa do gelo marinho na região.

Ao contrário da perceção geral, a quantidade de gelo no Ártico tem-se mantido estável mos últimos 20 anos, quer em termos de extensão, quer em termos de área.

A conclusão vem de uma investigação científica que usou observações reais – dados de satélite – para demonstrar a ausência de diminuição estatisticamente significativa desde cerca de 2005. Essa estabilidade ocorre quando se compara nos seis valores mínimos, em setembro, mas também quando se analisa o resto do ano.

Extensão observada do gelo marinho em setembro 1979–2024, e tendências de 20 anos da extensão do gelo marinho em setembro/década

Justificação dos resultados

Os autores recordam que, apesar dos resultados poderem parecer surpreendentes, existiram outros períodos recentes em que o aumento das emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa não foram acompanhados por perdas sustentadas de gelo marinho, como em meados do século XX, ou em que a cobertura de gelo expandiu mesmo (Gagne e outros, 2017), como entre 1940 e 1970.

Ou seja, considerando os últimos 85 anos, temos pelo menos 30 anos de crescimento e 20 anos de estabilidade confirmados.

Assim, argumentam que a variabilidade natural, e a sua sobreposição às eventuais influências antropogénicas, é a explicação mais plausível para o fenómeno.

Caso seja esse o caso, os autores concluem que também os períodos de diminuição do gelo Ártico poderão ter tido uma forte contribuição dessas variações naturais e não o resultado apenas de concentrações atmosféricas de gases com efeito de estufa.

Apesar das emissões de gases com efeito de estufa continuarem a aumentar, dados mostram que há 20 anos que não existe uma diminuição estatisticamente significativa do gelo marinho no Ártico

Fonte:

Minimal Arctic Sea Ice Loss in the Last 20 Years, Consistent With Internal Climate Variability – England – 2025 – Geophysical Research Letters – Wiley Online Library

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