A França aprovou a nova Estratégia nacional para alimentação, nutrição e clima 2025-2030 que tem como objetivo transformar o sistema alimentar francês. O documento defende a redução do consumo de carne, que deverá ser substituída por produtos com menor pegada carbónica como vegetais e cereais. O peixe também é referido como alternativa à carne, mas enquadrado com inúmeros critérios ambientais.
Para sustentar a estratégia defendida é salientada a associação entre a alimentação e os sistemas de produção alimentar com (1) danos ambientais e (2) doenças crónicas.
Ligação entre sistema alimentar e clima
A estratégia sustenta-se na associação entre o atual modelo alimentar e dois tipos de impactos: (1) emissões de gases com efeito de estufa e pressão sobre a biodiversidade; (2) prevalência de doenças crónicas associadas à alimentação.
“As emissões de gases com efeito de estufa do sistema alimentar no seu conjunto representam 37% das emissões globais totais de origem humana e cerca de 24% da pegada carbónica das famílias francesas. […] Os produtos de origem animal (carne, produtos lácteos, peixe) são responsáveis pela maioria da pegada carbónica alimentar (61%).”
Limitação do consumo de carne
Em termos de consumo, a carne é um dos principais focos desta estratégia, que defende a sua substituição (parcial) por dietas mais vegetarianas.
“No que diz respeito ao consumo, a evolução dos regimes alimentares é reconhecida como um dos principais instrumentos de redução das emissões de gases com efeito de estufa. […] Esta evolução caracteriza-se, nomeadamente, por uma limitação do consumo de carne e por um aumento do consumo de frutas e legumes, leguminosas e cereais integrais.”
A estratégia assume mesmo que a evolução dos regimes alimentares é um dos principais instrumentos de mitigação climática em coerência com a Estratégia Nacional de Baixo Carbono (SNBC) que a limitação do consumo de carne, em especial carnes vermelhas e charcutaria, em benefício de proteínas vegetais.
Peixe como alternativa, mas com condições
Por outro lado, também o peixe é apontado como uma boa alternativa à carne. No entanto, são apontadas diversas condicionantes para se reduzir o impacto ambiental como:
– Dever ser na maioria local (não importado);
– O tipo de peixe (de preferência não carnívoro);
– A origem e sazonalidade;
– Os modos de pesca;
– As emissões de navios (transporte e pesca).
Consumo de carne e saúde
Para além da questão climática, a limitação do consumo de carne é também enquadrada também como medida de saúde pública. Isto apesar das evidências de alta fiabilidade serem muito limitadas sobre os impactos negativos da carne na saúde, mesmo das carnes vermelhas.
Fontes:
