Durante muito tempo, benefícios como o estacionamento gratuito e incentivos fiscais foram usados como uma forma de aliciar os consumidores a optarem por veículos eléctricos, com o intuito de reduzir as “emissões”. Mas as regalias atribuídas, no passado, a estes automóveis estão agora a ser, progressivamente, suspensas em várias cidades europeias (e norte-americanas). Desde Lisboa a Málaga, passando por Paris e pela Califórnia, multiplicam-se os sinais de um recuo nestas políticas – um cenário justificado muitas vezes pelo crescente número de carros eléctricos em circulação, os problemas de trânsito e a perda de receitas com o estacionamento por parte dos municípios.
Depois de alguns anos a beneficiar de diversas vantagens, quem possui carros eléctricos está agora a perder, progressivamente, o direito a esses mesmos benefícios – uma tendência que se verifica em algumas cidades europeias e também em alguns Estados norte-americanos. Com efeito, nos últimos anos muitos compradores foram ‘aliciados’, através de incentivos decretados pelo poder político, a optarem por veículos eléctricos (por serem, supostamente, menos poluentes), mas, recentemente, têm-se sucedido as notícias que apontam para uma “marcha-atrás” nestas políticas.
EMEL recua no “dístico verde”
Em Portugal, a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) vai retirar, a partir de 2026, os ‘privilégios’ que foram atribuídos em 2013 aos donos de veículos 100% eléctricos, e que lhes assegurava estacionamento gratuito na capital mediante um pagamento de 12 euros por ano (o chamado “dístico verde”). Isto porque, segundo a EMEL, existe agora um excesso de carros eléctricos, com o número de dísticos verdes a ultrapassar os 40 mil. Uma situação que, além de levar a uma diminuição das receitas municipais com as tarifas de estacionamento, tem dificultado a procura de lugares para estacionar aos restantes condutores, gerando mais trânsito e, ironicamente, também mais “emissões”. Até porque a insenção da tarifa de estacionamento acaba por funcionar, na verdade, como um incentivo para a utilização do automóvel nas deslocações diárias, fazendo aumentar, assim, a circulação de carros.
Málaga acaba com o estacionamento gratuito no centro da cidade
Aqui ao lado, em Espanha, também há cidades onde os benefícios de estacionamento para os veículos considerados de baixas emissões têm os dias contados. Tal como Lisboa, também a Câmara Municipal de Málaga, por via da Smassa (a EMEL local), irá acabar, já no próximo ano, com a isenção anual das tarifas para estacionar nas denominadas “zonas azuis” daquela que é uma das maiores cidades espanholas.
Até agora, quem possuísse carros eléctricos, híbridos ou a hidrogénio, obtinha um selo azul, ou de “zero emissões”, bastando para isso que preenchesse um formulário para se ver livre de pagar estacionamento, segundo o jornal regional SUR in English.
No entanto, a partir de Janeiro de 2026, a única benesse que se manterá é a possibilidade de estacionar gratuitamente, por um tempo máximo de 45 minutos, e apenas nos parques públicos municipais.
Paris deverá seguir o mesmo rumo
De acordo com o portal dedicado à mobilidade eléctrica Driving Eco, Paris é também uma das principais capitais europeias onde os veículos eléctricos deverão perder em breve o regime ‘especial’ de estacionamento, passando a ser-lhes aplicadas as mesmas tarifas que aos outros automóveis nas zonas reguladas. O número crescente de carros que não pagam parquímetro será o motivo da intenção do município parisiense. E, além da capital francesa, o mesmo poderá acontecer também na cidade de Lyon.
Em 2023, recorde-se, Paris tornou-se na primeira cidade europeia a proibir o aluguer de trotinetes eléctricas, devido à elevada ocorrência de acidentes associados, os quais chegaram mesmo a provocar mortos em alguns casos.
Califórnia ‘trava a fundo’ nos programas que incentivam compra de carros eléctricos
Nos Estados Unidos, já há largos anos que a Califórnia se destaca pelos fortes incentivos à compra de carros eléctricos.
No entanto, aquele que é um dos Estados mais ‘amigos’ dos veículos de “baixas emissões” – com inúmeras vantagens para os consumidores –, tem feito uma travagem a fundo nos benefícios para a mobilidade eléctrica. A Administração de Donald Trump é a responsável pela mudança de direcção, e a sua rejeição das políticas “verdes” da Califórnia motivou mesmo uma ‘guerra’ entre o Governo federal e o governador da Califórnia, Gavin Newsom.
Mas foi a Administração Trump que levou a melhor: conseguiu, por exemplo, que um programa estadual que garantia, desde 1999, uma faixa de circulação exclusiva para os carros eléctricos, fosse suspenso em Setembro passado. Em cerca de duas décadas e meia, este selo já havia sido atribuído a mais de um milhão de automóveis.
E este não é a única benesse que foi retirada aos proprietários destes veículos, que lhes viram também ser retirados os benefícios fiscais, que incluíam uma poupança entre os quatro e os sete mil dólares.
Ainda assim, apesar da perda de incentivos, o terceiro trimestre deste ano foi bastante positivo para o sector, com 124.755 “veículos de zero-emissões” vendidos (mais de 29% do total de novos automóveis adquiridos) neste Estado americano.
Fontes
Carros elétricos deixarão de ter estacionamento gratuito e ilimitado em Lisboa
Paris removes the advantages of electric cars for parking in the city
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