Com base nos números divulgados pela AIMA em Abril, que apontam para 1,6 milhões de residentes estrangeiros, o nível de vida dos portugueses desce e fica, afinal, abaixo da média da União Europeia. A conclusão consta de um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que estima também que a “imigração compatível” com o crescimento da economia é de 80 mil pessoas por ano, muito abaixo dos cerca de 300 mil que chegaram a Portugal em 2023 e em 2024. Segundo esta análise actualizada, o nível de vida em Portugal deverá ser ultrapassado pelo da Roménia já no próximo ano.
A necessidade de imigrantes para colmatar a crónica baixa natalidade e a ‘sangria’ de jovens portugueses para o estrangeiro é invocada com frequência, mas segundo um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) divulgado esta terça-feira, o fluxo dos últimos dois anos é muito superior ao que a economia precisa actualmente para crescer. Uma ideia que Óscar Afonso, director da FEP e um dos autores do estudo reiterou também em declarações à Lusa.

O estudo refere que, de acordo com os dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), em 2023 e em 2024 houve, em cada ano, um aumento de cerca de 300 mil pessoas estrangeiras a residir em Portugal, mas a economia cresceu muito abaixo dos 3%. Isto sugere que “uma boa parte estará na economia paralela”, dizem os investigadores, considerando que a presença dominante dessas pessoas nos sectores de baixa produtividade “não explica tudo”.
Com efeito, depois de a AIMA ter reportado que o número de imigrantes em Abril rondava os 1,6 milhões, o Gabinete de Estudos Económicos, Empresariais e de Políticas Públicas (G3E2P) estima agora que a “imigração compatível será cerca de 80 mil ao ano”, para que a economia portuguesa cresça 3% ao ano e entre no grupo de países da União Europeia (UE) com maior nível de vida até 2033.
Nesse sentido, o G3E2P revê em baixa o número ‘ideal’ de imigrantes face a 2024, altura em que apontava para a necessidade de 138 mil por ano.
Afirmando que parece ter-se verificado, como defendeu o Governo da AD, um “descontrolo” migratório, o relatório atribui esta “desconexão entre a imigração e as necessidades da economia” ao Regime de Manifestação de Interesse (RMI), adoptado em 2017 pelo executivo socialista então apoiado pelos partidos à esquerda. E qualifica ainda como “positivo” que a AD o tenha substituído pela “via verde da imigração” – que pretende ajustar a entrada de imigrantes às necessidades das empresas – sublinhando, porém, que este mecanismo ainda é “recente e deve ser validado”.
Nível de vida dos portugueses é inferior ao que se pensava
No entanto, a principal conclusão do estudo é de que, ao contrário das projecções feitas anteriormente, o nível de vida dos portugueses está, afinal, abaixo da média europeia de 80%. Este indicador, que cruza o PIB e a população média num determinado ano, estava a ser sobrestimado com base em dados desactualizados sobre a população estrangeira a residir em Portugal. Isto porque os números que foram reportados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) eram muito inferiores aos da AIMA.
Assim, em 2024 “o nível de vida estará a 79,18% contra os 81,6% oficiais, em 2025 estará nos 79,27% contra os 81,70% que serão oficiais, e em 2026 [será de] 79,47% contra os que irão ser oficiais de 81,9%”.
Estas estimativas fazem com que Portugal figure entre os sete piores países da UE até 2026, e fique a uma curtíssima distância da Roménia (apenas duas centésimas acima) – que há poucos anos era um dos países mais pobres da Europa. Para o economista Óscar Afonso, esta situação “deve envergonhar o país” e exige “reformas estruturais que aumentem a competitividade da economia nacional”.
Na verdade, o estudo dá como provável que o nível de vida da Roménia seja ligeiramente superior ao de Portugal já no próximo ano, cenário que colocaria o país na 6ª pior posição e ainda mais na cauda da Europa.
Além disso, os investigadores sublinham que o crescimento económico da Roménia entre 1999 e 2026 é alcançado mesmo com uma evolução demográfica negativa (-0,3% ao ano). Uma realidade que contrasta com o aumento populacional de Portugal – muito fomentado pela imigração –, que, no entanto, não se tem traduzido numa melhoria no nível de vida.
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