A morte de Charlie Kirk tem sido acompanhada por uma onda de desinformação produzida ou amplificada por grandes órgãos de comunicação em Portugal. Um dos exemplos mais gritantes é o do ex-jornalista Filipe Santos Costa que, num programa da CNN, proferiu um conjunto de alegações falsas, descontextualizadas ou enganosas. Entre essas alegações, a de que Kirk “defendeu que os gays deveriam ser apedrejados”, uma mentira propagada pelas redes sociais. Apesar dos vários desmentidos e do pedido público de desculpas de Stephen King ter sido amplamente noticiado, a CNN continuou a passar essa informação durante dias consecutivos.
A morte de Charlie Kirk tem dado azo a uma onda de informações falsas, descontextualizadas e enganosas. Em Portugal, grande parte dessa desinformação tem partido de grandes órgãos de comunicação social.
Um dos casos mais evidentes foi o do ex-jornalista Filipe Santos Costa, que no seu programa G7 na CNN fez um conjunto de informações falsas, descontextualizadas e enganadoras.
A defesa do apedrejamento de gays
Uma das suas alegações totalmente infundadas foi a de que defendeu que os gays deveriam ser apedrejados.
“Kirk também defendeu que os gays deveriam ser apedrejados”
Essa afirmação falsa propagada veio de uma conversa em que Kirk citou uma passagem bíblica para contextualizar outras citações da mesma sobre o tema da homossexualidade, e não para defender o apedrejamento.
Mas não só Kirk nunca proferiu tal afirmação, como em múltiplas ocasiões se manifestou pelo acolhimento de gays no seu movimento, salientou os múltiplos apoiantes de Trump que são homossexuais e recolheu também inúmeros elogios de personalidades e movimentos gays após o seu assassinato.

Tudo isto seria facilmente comprovado com um mínimo esforço de investigação.
As desculpas de Stephen King
Mas mais revelador ainda, foi que um dia antes das alegações do ex-jornalista e comentador, o conhecido escritor Stephen King fez um pedido de desculpas público por ter propagado essa mesma informação falsa, e essa ação foi altamente divulgada pela imprensa internacional.

Outras alegações falsas ou enganosas
Mas as declarações falsas, ou no mínimo enganadoras, de Filipe Santos Costa não se ficaram por aqui.
Defesa da liberdade religiosa
Por exemplo, o ex-jornalista alegou que, para Charlie Kirk, “A América não deve ter liberdade religiosa”. Ora, apesar de Kirk se apresentar como um cristão fervoroso e considerar que uma base cristã é fundamental para “manter a liberdade”, não são conhecidos discursos em que conteste a liberdade religiosa.
Num debate com um republicano que exigia a rejeição de pessoas homossexuais do partido republicano com base na religião, Kirk rejeita veemente essa ideia e pergunta-lhe: “Vivemos numa teocracia?”.
América negra versus América branca
Afirmou igualmente que Kirk “chegou a considerar que a América negra vivia melhor do que a América branca”.
Ora, no próprio excerto transmitido é possível constatar que a afirmação do ativista conservador é diferente da alegação feita. Kirk declara que a dada altura, sem viverem “incrivelmente bem”, os negros estavam a “enriquecer a um ritmo maior que a América branca”, o que é bem diferente de “viver melhor”.
Crítica ao uso da palavra “empatia”
Outra das suas alegações foi a de que Kirk “considerava a empatia um conceito que faz mal”. Ora, não sendo isso falso, foi passado um excerto truncado em que ele critica o uso do termo “empatia”, mas que omite que logo de seguida afirma preferir o termo “simpatia”. Essa subtileza distorce e descontextualiza a sua posição, dando a entender uma posição fria ou cruel, quando ele apenas opina sobre o termo em si.
Medo de pilotos negros
Filipe Santos Costa alega ainda que Kirk “achava que a maioria das pessoas ficava com medo se visse que o comandante do seu avião era negro”. Também aqui, mais do que falsa, esta afirmação é descontextualizada e manipuladora.
Kirk não sugeria, ao contrário do que se poderia deduzir da peça, que os pilotos negros fossem necessariamente piores que os brancos. O enquadramento eram as políticas DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), que segundo o próprio, por não considerar apenas o mérito, fazia com que nem sempre os melhores fossem selecionados.
Ele usou o exemplo inverso a propósito da NBA, quando questionou se o nível de desempenho se manteria se se impusessem jogadores de outras raças e excluíssem afro-americanos (muito sobrerepresentados nessa liga).
Tentámos contactar com o Filipe Santos Costa e com os editores da CNN para pedir que nos revelassem as fontes das alegações e questionar sobre se pretendem corrigir as informações passadas. Até ao momento, não obtivemos resposta.
Fonte:
CNN G7 – 13 de setembro de 2025 – CNN Portugal
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