Fraudes e burlas no Facebook, WhatsApp e Instagram rendem milhares de milhões de dólares à META

ByMaria Afonso Peixoto

29 de Dezembro, 2025

Uma análise aos documentos internos da META sugere que a empresa de Mark Zuckerberg poderá ter obtido 16 mil milhões de dólares em 2024 com anúncios potencialmente fraudulentos (cerca de 10% das suas receitas). Os dados reportados pela Reuters mostram que em vez de proibir os anúncios sinalizados como prováveis fraudes, a META opta por cobrar taxas mais elevadas aos anunciantes. Como resultado, os utilizadores do Facebook, WhatsApp e Instagram são confrontados com uma média de 15 mil milhões de tentativas de burla por dia.

A gigante tecnológica META – dona do Facebook, Instagram e WhatsApp – tem sido alvo de críticas por obter lucros astronómicos com os anúncios fraudulentos que permite nas suas plataformas. De acordo com documentos internos a que a agência Reuters teve acesso, em 2024 a empresa liderada por Mark Zuckerberg estimou que até 10% das suas receitas anuais (o equivalente a cerca de 16 mil milhões de dólares) seriam provenientes deste tipo de fraudes.

Com efeito, em vez de proibir anúncios sinalizados como prováveis burlas, a META cobra taxas mais elevadas (‘premium’) aos anunciantes, argumentando que os preços altos acabam por funcionar como uma estratégia de ‘dissuasão’. Mas o que é certo é que só com estes anúncios, considerados de “alto risco” para fraude, a ‘gigante’ das redes sociais consegue encaixar cerca de 7 mil milhões de dólares por ano, segundo os documentos consultados pela Reuters. No entanto, se para a META as fraudes são uma espécie de ‘galinha dos ovos de ouro’, para os utilizadores sobram apenas desvantagens: diariamente, veem-se confrontados com uma média de cerca de 15 mil milhões de tentativas de “golpe”.

Pior: devido ao próprio sistema de personalização de anúncios da META, quando um utilizador clica num anúncio fraudulento, a probabilidade de lhe aparecer outros do género torna-se ainda maior.

Para que empresa tecnológica proíba um anunciante de publicitar nas suas plataformas, é necessário que os seus sistemas tenham, no mínimo, 95% de certeza de que se trata de uma fraude. Contudo, embora pareça uma percentagem significativa, esta ‘lógica’ permite, ainda assim, que inúmeros anúncios com elevada probabilidade de serem fraudulentos sejam validados – mesmo que os anunciantes (burlões) tenham de pagar mais.

De facto, os documentos internos que reflectem a própria avaliação da META sobre o seu desempenho mostram que, durante pelo menos três anos, a empresa não conseguiu impedir que os utilizadores do Facebook, Instagram e WhatsApp fossem expostos a milhares de milhões de fraudes – em esquemas que incluem anúncios fraudulentos de compras ou investimentos, casinos online ilegais e também de produtos médicos proibidos.

Nesses documentos, a gigante tecnológica reconheceu ainda que as suas principais concorrentes tinham um melhor desempenho na detecção de fraudes. Uma análise feita em Abril deste ano pela empresa afirma mesmo que “é mais fácil anunciar golpes em plataformas META do que no Google”.

Alguns estudos também já têm indicado que as redes sociais da META assumem uma proporção considerável no que diz respeito a esquemas fraudulentos. Uma avaliação da equipa da segurança da empresa, realizada em Maio passado, concluiu que um terço de todas as fraudes bem-sucedidas nos Estados Unidos aconteciam nas suas plataformas.

META refuta estimativa, alegando que está ‘inflaccionada’

Apesar dos dados relevados pela Reuters constarem de documentos internos da META, o porta-voz da empresa, Andy Stone, afirmou que os números reais serão diferentes, uma vez que a estimativa de 10,1% de receitas com os anúncios fraudulentos era “aproximada e excessivamente abrangente” e incluía também “muitos” anúncios legítimos. Porém, Stone não forneceu qualquer outra estimativa alternativa.

Num comunicado divulgado no mês passado, a empresa defendeu-se explicando que “a avaliação foi feita para validar os nossos investimentos planeados em integridade – incluindo o combate a fraudes e golpes – o que fizemos”.

“Nos últimos 18 meses, reduzimos em 58% as denúncias de anúncios fraudulentos em todo o mundo e, até agora em 2025, removemos mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos”, acrescentou o porta-voz.

Fontes:

Meta is earning a fortune on a deluge of fraudulent ads, documents show | Reuters

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