Presidência patrocina conferência sobre “descolonização” da saúde e “racismo sistémico”

A 2ª. Conferência Mundial sobre Migração, Etnicidade, Raça e Saúde tem o apoio da Presidência da República.

A “descolonização” e o “racismo sistémico” na saúde estão entre os principais temas do congresso, além da relação entre as alterações climáticas e as migrações, e a preparação para futuras emergências sanitárias. Com início marcado para esta quarta-feira, a “Conferência Mundial sobre Migração, Etnicidade, Raça e Saúde”, que decorrerá na Universidade Nova de Lisboa, tem o “alto patrocínio” da Presidência da República, e contará com a presença da actual ministra da Saúde, Ana Paula Martins. O valor do bilhete à entrada pode chegar aos 750 euros.

Esta semana, a Universidade Nova de Lisboa (UNL) vai ser palco de uma conferência internacional que pretende discutir a “descolonização” da saúde e o “racismo sistémico” no sector. Mas não só: em debate, estará também a ligação entre as alterações climáticas e as migrações, e a preparação para futuras emergências sanitárias com base nas lições retiradas da covid-19.

Trata-se da segunda edição da “Conferência Mundial sobre Migração, Etnicidade, Raça e Saúde”, organizada pela Global Society on Migration, Ethnicity, Race and Health (GSMERH), e decorre entre os dias 3 e 5 de Setembro. O evento, que explorará “o papel da migração na criação de sociedades mais saudáveis e inclusivas” e no combate “às disparidades na saúde” será, inclusivamente, patrocinado pela Presidência da República.

O painel de oradores reúne 20 “especialistas” e investigadores da área da saúde, oriundos de vários países, que trabalham para entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional para as Migrações (IOM). Sónia Dias, psicóloga e directora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), é uma das co-organizadoras. Mas, entre os convidados portugueses, há outros dois nomes de destaque: a actual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e Ricardo Baptista Leite, antigo dirigente do PSD e director do NOVA Center for Global Health. Na quarta-feira, ambos farão a abertura da evento.

Migrações, racismo e saúde

“O tema da conferência de 2025, «A migração como motor de um mundo saudável, livre de racismo e multiétnico», enfatiza o impacto positivo da migração na criação de sociedades mais saudáveis e inclusivas. Este tema reflecte o papel vital da migração na melhoria da saúde da população e na promoção da diversidade em contextos societais e nos locais de trabalho. O objectivo é destacar as contribuições construtivas dos migrantes e promover uma compreensão mais profunda da interconexão da saúde, migração e equidade racial”, lê-se no site oficial do evento.

Ao nível nacional, além da Presidência da República, o congresso é também patrocinada pela Associação Turismo de Lisboa e pelo Turismo de Portugal.

Com o subtítulo «Um apelo à acção para colmatar o fosso em matéria de equidade na saúde», a conferência “sublinha a urgência de abordar as disparidades no domínio da saúde e de alcançar a equidade no domínio da saúde para todos, independentemente da origem étnica ou do estatuto migratório. A conferência explorará estratégias para colmatar as lacunas em matéria de equidade no domínio da saúde e promover políticas inclusivas que garantam a igualdade de acesso dos migrantes e das minorias étnicas aos serviços de saúde”.

É a segunda vez que esta iniciativa acontece. A primeira foi em Edimburgo (Escócia), em 2018, e, de acordo com a Global Society on Migration, Ethnicity, Race and Health (GSMERH), contou com mais de 700 participantes vindos de 50 países.

Segundo a organização, a GSMERH “serve como um ponto de encontro físico e virtual para organizações-membros e representantes dedicados a proteger e melhorar a saúde de todos os indivíduos, independentemente da origem étnica ou local de origem”.

Patrocínios internacionais

A par com as entidades nacionais que apoiam o evento, destacam-se ainda outros patrocinadores e financiadores. Entre estes, constam a Fundação OAK, o consórcio ReBUILD for RESILIENCE, financiado pelo Governo britânico, e a Wellcome Trust, uma “instituição filantrópica” sediada em Londres.

Valor do bilhete atinge os 750 euros

Embora seja financiado através de dinheiros públicos e de fundações filantrópicas, o valor dos bilhetes para o congresso é, ainda assim, elevado. Com efeito, o preço pode chegar aos 750 euros, caso o bilhete seja adquirido no local. No entanto, os estudantes ou provenientes de países em desenvolvimento beneficiam de um desconto considerável, pagando “apenas” 450 euros à entrada – e, se tiverem adquirido o bilhete até ao passado dia 1 de Maio, terão tido uma redução adicional, pagando “só” 350 euros.

Para os demais, 550 euros é o preço mais reduzido, sendo que, para quem queira participar apenas no jantar, poderá fazê-lo por 70 euros. No entanto, caso queira levar um acompanhante, terá de pagar o dobro.

Fonte: Registration – World Congress on Migration, Ethnicity, Race & Health

O The Blind Spot fez várias questões à organização do evento, nomeadamente a respeito do financiamento e dos patrocínios, mas não obteve resposta em tempo útil. Também tentámos saber qual o número estimado de participantes, sendo que o auditório cedido para o congresso tem uma lotação máxima de 375 pessoas, segundo uma fonte da Universidade Nova de Lisboa.

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