Redes sociais mantêm censura apesar das promessas de mudança

Fonte: https://universaljp.org/uol-censura-resposta-da-universal/

Apesar das declarações públicas de arrependimento e promessas para pôr fim à censura, empresas tecnológicas como a Meta, a Google e a Microsoft continuam a eliminar arbitrariamente publicações e contas de utilizadores — incluindo jornalistas e órgãos de comunicação social. Muitas vezes, alegando “desinformação”, ou apenas violação dos “padrões da comunidade”. As queixas e denúncias contra a censura têm-se multiplicado, acendendo um debate sobre a liberdade de expressão e até a liberdade de imprensa.

As gigantes tecnológicas como a Meta, a Google e a Microsoft continuam a exercer uma forte censura nas redes sociais, apesar de ter havido recentemente algumas ‘promessas’ de que este tipo de práticas iriam cessar. Ainda na semana passada, por exemplo, a própria Google (dona do Youtube) fez uma espécie de mea culpa, admitindo ter feito uma censura “inaceitável” a pedido da Administração Biden, e comprometendo-se a reactivar as contas que haviam sido eliminadas.

Do mesmo modo, no início do ano, também o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez declarações semelhantes, tendo denunciado os mesmos pedidos por parte do Governo norte-americano e anunciado o fim do sistema de ‘fact-checking’ nas redes da empresa, que incluem o Facebook, o Instagram e o WhatsApp.

Mas a verdade é que se têm vindo a multiplicar as queixas dos utilizadores, que têm as suas publicações apagadas – frequentemente, por “desinformação” –, ou chegam mesmo a perder as suas contas nas plataformas, muitas vezes sem qualquer justificação ou possibilidade de reverter a situação e recuperar o acesso às suas páginas. Em muitos casos, os visados têm dezenas ou até centenas de milhares de seguidores, e as suas plataformas nas redes são essenciais para  os negócios que empreendem.

Esta censura é, inclusivamente, levada a cabo à revelia da legislação dos próprios países onde estas plataformas operam, atingido também jornalistas e órgãos de comunicação social – uma prática que viola, portanto, não só o direito à liberdade de expressão, mas também à liberdade de imprensa.

Com efeito, esta semana, a propósito de uma notícia sobre um estudo sul-coreano que associou a vacinação contra a covid-19 a um aumento do risco de vários tipos de cancro, o jornal PÁGINA UM teve a sua publicação removida pelo LinkedIn. Segundo a rede social, que é propriedade da Microsoft, o post disseminava “desinformação” – embora se tratasse de um estudo científico robusto, revisto por pares e publicado na prestigiada revista científica Biomarker Research.

Além de ser uma afronta contra a liberdade de imprensa, a conduta do LinkedIn expõe também os gritantes conflitos de interesse da sua empresa-mãe, uma vez que o cofundador da Microsoft, Bill Gates, tem avultados investimentos na indústria farmacêutica, e, em particular, no desenvolvimento de vacinas.

Influenciadores financeiros censurados pela META

Contudo, além da vacinação covid, há muitos outros temas ‘sensíveis’ para as plataformas tecnológicas, que colocam os utilizadores num risco maior de serem alvo de censura.

No mês passado, naquilo que pareceu um ataque concertado contra criadores de conteúdos na área financeira, a META deitou abaixo dezenas de contas de ‘influencers’ no Instagram – entre eles, o jornalista Pedro Andersson, que colabora regularmente com o Expresso na sua rubrica “Contas Poupança”. Sem providenciar grandes explicações, a rede social apenas alegou que os conteúdos divulgados pelo jornalista não seguiam os “Padrões da Comunidade”.

Cerca de duas semanas depois, porém, a plataforma reactivou a conta, lamentando pelo “erro” e justificando a acção com a tomada de “medidas para ajudar a manter a segurança na comunidade”. Andersson, que antes somava 350 mil seguidores, perdeu cerca de 90 mil.

Censura levou britânicos a queixarem-se à BBC

Em Julho passado, a BBC deu conta das queixas de inúmeros britânicos em relação à META. Segundo eles, a empresa estava a suspender páginas e grupos de Facebook de forma arbitrária. A situação levou, inclusive, à criação de uma petição que foi assinada por mais de 25 mil pessoas, e que visava o Facebook, o Instagram e o WhatsApp.

Por causa da eliminação das contas, os utilizadores alegaram ter sido afectados tanto a nível profissional como pessoal – com prejuízos para os seus negócios, ou com a perda de contacto com familiares e amigos próximos.

Para piorar a situação, as pessoas ouvidas pela BBC também se queixaram das dificuldades em recorrer da decisão, pela falta de apoio técnico e a moderação de conteúdos feita apenas com recurso a algoritmos e Inteligência Artificial.

Na altura, a Meta reconheceu ter havido um “erro técnico” que teria levado a que, por engano, vários grupos tivessem sido suspensos. Mas a justificação não convenceu os peticionários, que consideraram que o problema era mais abrangente. Alguns, aliás, ameaçaram avançar com um processo legal contra a empresa tecnológica.

Fontes:

Facebook and Instagram users complain of account bans

Ver também:

Depois de ter censurado o The Blind Spot por mais de três semanas, LinkedIn reactiva a página e admite “erro” – The Blind Spot

Facebook censura The Blind Spot durante seis horas – The Blind Spot

Cofundador Wikipédia: Empresa censura e faz propaganda – The Blind Spot

Antiga política do Twitter suportava censura de afirmações verdadeiras – The Blind Spot

BMJ denuncia política de censura dos fact-checkers do Facebook – The Blind Spot

Censura científica no Facebook com base em erros e omissões de dois fact checkers – The Blind Spot

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