Após um processo judicial movido pelo líder do Reform UK, Nigel Farage, o governo britânico de Keir Starmer desistiu do plano de cancelar 30 eleições locais. A decisão surge num momento em que três dos principais assessores políticos de Starmer se demitiram na sequência do caso Epstein.
O plano previa o adiamento ou cancelamento de 30 eleições de conselhos locais em Inglaterra, afetando cerca de 4,5 milhões de eleitores, no âmbito do programa de Reorganização do Governo Local. No entanto, após a ação judicial, o Ministério das Comunidades e Governo Local confirmou que reverteu essa decisão e que as eleições decorrerão como originalmente planeado em maio de 2026.
O secretário do Governo Local, Steve Reed, justificou a mudança “à luz de recentes pareceres jurídicos”, de acordo com uma carta do Departamento Jurídico do Governo partilhada por Nigel Farage.
Além disso, o governo anunciou que procurará um acordo com o Reform UK para encerrar o processo e que aceitará pagar as custas.
Vitória do opositor Nigel Farage
Nigel Farage classificou a decisão como uma vitória para o Reform UK. Afirmou ainda que o Governo tentou impedir o direito de voto de milhões de britânicos e que a sua ação no tribunal garantiu que isso não acontecesse.
Como resultado da reviravolta do governo, um total de 136 áreas de autoridades locais em toda a Inglaterra realizarão agora eleições em maio.
O que aconteceu?
Em dezembro, o Governo permitiu que 63 conselhos solicitassem o adiamento das eleições locais
Embora a maioria tenha afirmado querer que as eleições fossem realizadas, 29 solicitaram um adiamento, muitos deles citando o custo elevado da realização das eleições enquanto se implementava o programa de reorganização.
Os ministros anunciaram então que as eleições de 30 conselhos seriam adiadas, mas agora mudaram de opinião depois de o partido Reform UK os ter levado a tribunal.
Impacto no panorama político
O recuo ocorre num momento de críticas à liderança de Starmer e à sua capacidade de gestão de reformas administrativas complexas.
Farage e o Reform têm afirmado que a reversão do plano original representa uma defesa das tradições democráticas britânicas, argumentando que adiar ou cancelar sufrágios seria uma afronta ao processo democrático.
Contexto
Em pouco mais de 18 meses desde que assumiu o poder, o governo tem sido assolado por uma longa lista de mudanças bruscas de políticas e escândalos.
Mais recentemente, a ligação de Epstein a Peter Mandelson, que tinha sido nomeado embaixador britânico nos EUA, e a suspeita de graves crimes cometidos no âmbito dessa ligação, levou a uma cascara de demissões no governo de Starmer.
Entre essas demissões, está o seu chefe de gabinete, Morgan McSweeney, mas também do seu diretor de comunicação, Tim Allan, e o secretário do gabinete, Chris Wormald.
Fontes:
Keir Starmer ABANDONS plan to cancel local elections after Nigel Farage launched legal action
Politics latest: Nigel Farage reveals key jobs in Reform UK’s top team | Politics News | Sky News
