Von der Leyen usou autodestruição de mensagens – contradizendo versão dada no Pfizergate

Von der Leyen admitiu recorrer à autodestruição de mensagens, levantando dúvidas sobre transparência da Comissão Europeia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu recorrer à eliminação automática de mensagens na aplicação Signal — contradizendo o que afirmou em tribunal no âmbito do “Pfizergate”. A revelação, feita após um pedido de acesso a comunicações com o presidente francês Emmanuel Macron, reacende dúvidas sobre a transparência do executivo europeu.

A Presidente da Comissão Europeia elimina de forma automática as mensagens que recebe – apesar de ter declarado ao Tribunal, a propósito do caso “Pfizergate”, que não o fazia, tendo alegado que as apagava manualmente. A confissão foi feita ao site de investigação Follow The Money (FTM), que solicitou à Comissão o acesso a uma mensagem de texto enviada em 2024 pelo presidente francês Emmanuel Macron a Ursula von der Leyen, a respeito do acordo da União Europeia (UE) com a Mercosul.

Numa resposta que chegou mais de um ano e meio depois de ter sido feito o pedido, o executivo europeu admitiu ao FTM que a mensagem foi recebida através da aplicação Signal. No entanto, disse não poder divulgá-la, porque von der Leyen activara a funcionalidade de “desaparecimento” automático das mensagens na aplicação. O motivo? Tentar “evitar eventuais fugas de dados importantes”.

Funcionários da Comissão são instruídos a apagar mensagens automaticamente

Recorde-se que o Signal é conhecido por ser mais seguro e privado do que outras ‘apps’ do género – como o WhatsApp –, pelo seu sistema de encriptação de dados.

No entanto, a segurança oferecida pela aplicação não é suficiente para a Comissão, que recomenda a todos os funcionários que activem o modo automático de eliminação de mensagens. As orientações foram emitidas em 2022, após um alto funcionário ter sido alvo de uma tentativa de ciberataque.

“A Presidente tinha activado esta funcionalidade para cumprir com essas regras”, explica-se no documento enviado ao FTM.

Desaparecimento de mensagens levanta receios sobre transparência

Contudo, o facto de a Comissão Europeia não manter registos das suas comunicações digitais suscita receios sobre opacidade e falhas de transparência, já que os documentos que deveriam ser públicos segundo as regras da própria UE, não o são.

Ainda mais porque no caso “Pfizergate” – que desferiu um golpe na credibilidade de von der Leyen – estão em causa, precisamente, mensagens de texto trocadas com o CEO da Pfizer, Albert Bourla, para a aquisição de milhões de vacinas covid, e cujo acesso foi negado aos jornalistas do New York Times.

E foi por isso, aliás, que no início do ano a Comissão foi condenada pelo tribunal, que considerou não ter sido dada uma explicação plausível para a recusa em facultar as mensagens.

Ainda assim, para o executivo europeu, as preocupações com a falta de transparência não têm fundamento. Com efeito, na resposta ao FTM, a Comissão esclareceu que a mensagem enviada no ano passado por Macron foi “discutida” pouco tempo após a sua recepção, e que se considerou que a comunicação “reiterava uma posição bem estabelecida já comunicada pela França no passado à Comissão nas formações do Conselho, e também tornada pública”.

Fontes

Von der Leyen sets messages on auto-delete – Follow the Money – Platform for investigative journalism

Ver também

Comissão europeia condenada em tribunal por ocultação de dados sobre vacinas covid – The Blind Spot

Pfizergate: Comissão Europeia decide não recorrer da decisão do tribunal – The Blind Spot

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