O futuro dos fundos comunitários/PRR

ByFernando Pereira

18 de Julho, 2025

O futuro dos fundos comunitários, na sua execução, começa a estar comprometido e a caminhar para o insucesso! Este facto deve-se a estratégias, planificações e opções erradas do passado!

O PT-2040 vai ser, sem dúvida, inferior ao PT-2030, por isso apelo ao governo para que olhe com muita atenção para quais as áreas estratégicas que podem alavancar investimentos promissores e fazer progredir Portugal! Não podemos continuar a alocar fundos comunitários só para gastar o dinheiro!

Temos tido bons exemplos na alocação de fundos, mas infelizmente, nestes últimos anos, temos mais maus exemplos!

O PRR era para acelerar a recuperação económica e impulsionar o crescimento, com sustentabilidade, construir um futuro mais próspero, resiliente e sustentável, e deveria ser o primeiro desafio que Portugal devia ter em conta!

Não podemos desperdiçar candidaturas com grau elevado de apoio, como foi o caso “Convite (AC 01/RAIT/2022)”. Se esta candidatura não tivesse sido desperdiçada, o projeto TGV teria tido o apoio de 85% a fundo perdido em bitola europeia! Mas, existem outros exemplos trágicos, como por exemplo o “acelerar 2030”, que em alguns casos serviu para aumentar vencimentos de órgãos sociais e técnicos das mesmas associações empresariais, não cumprindo – volto a repetir – não cumprindo os objetivos do aviso, mesmo com alteração dos mesmos já em fase de execução. Prática esta nunca antes vista! Importa também perguntar à anterior ministra da Coesão porque o fez?

Recordo que as associações empresariais já tinham um enorme desafio pela frente, mas em setembro de 2025 vai ainda ser maior o desafio! O insucesso é certo e o encerramento das AE, também! Não é comportável e muito menos sustentável os montantes e número de vencimentos a pagar, que em alguns casos, tiveram um aumento de mais de 50%.

O financiamento europeu não pode ser usado a seu bel-prazer para família e amigos, sem haver antes uma prévia análise das consequências das opções políticas, da forma como é alocado e a quem!  Estes fundos deveriam contribuir para o desenvolvimento estratégico das regiões, e por conseguinte, de Portugal!

Na minha opinião, excedemo-nos na alocação de fundos para cumprir objetivos climáticos, como a eficiência energética, energias renováveis e mobilidade sustentável, e agora teremos as consequências! 

Portugal não pode resignar-se a uma trajetória de crescimento diminuto, que nos continua a empurrar para a cauda da Europa! Portugal precisa de poupar mais, atrair mais investimento e alocar muito melhor os fundos comunitários!

Portugal não tem nenhuma certeza da continuidade da generosidade que lhe tem sorrido, mas tem o desafio de ver a redução dos fundos europeus, para Portugal!

O Tempo que ainda está por chegar, chegará, mas quando chegar, ninguém o quer!

O melhor é mesmo precavermo-nos no presente, construindo um caminho sólido e sustentável, para que o tempo que ainda está por chegar seja próspero e promissor, aperfeiçoado e bem aproveitado!

Fernando Pereira                                      

Gestor de empresas

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