Cidadãos promovem caminhada em Lisboa para apelar à paz na Europa

Um grupo de cidadãos está a organizar uma “caminhada meditativa” pela paz já para o próximo sábado, dia 1, em Lisboa. A iniciativa, intitulada Portugal pela Paz — Caminhada por uma Maior Consciência, pretende apelar à diplomacia e lançar uma “mensagem de fraternidade e esperança” num momento em que crescem os receios de uma III Guerra Mundial.

Um grupo de cidadãos, entre os quais se conta o filósofo e ex-presidente do PAN, Paulo Borges, está a promover uma “caminhada meditativa” em Lisboa para apelar à paz e à diplomacia, numa altura em que os receios em torno de um escalar do conflito russo-ucraniano para uma III Guerra Mundial ‘assombram’ a Europa.

Intitulado “Portugal pela Paz — Caminhada por uma Maior Consciência”, o evento irá decorrer durante a tarde do próximo dia 1 de Novembro (sábado), a partir das 15h. Com início marcado no Parque Eduardo VII, a marcha silenciosa acabará no Cais das Colunas, “de onde antes as caravelas zarpavam”, e passará também pelo Monumento aos Mortos da Grande Guerra na Avenida da Liberdade. Aí, os participantes irão “acender velas e realizar [uma] oração pelas almas de todos os que partiram de forma violenta”.

Para explicar o porquê desta iniciativa, António Guerreiro, um dos organizadores, diz que “vivemos hoje uma atmosfera semelhante à que antecedeu 1914 e 1939”.

“Nestes dias de outubro, em Bruxelas, os líderes da Europa reúnem-se para falar de segurança e estabilidade. Mas as palavras diplomáticas soam ocas. Afiam-se espadas em nome da paz, como se preparar a guerra fosse o modo de a evitar. Foi assim antes da [Primeira] Grande Guerra. Foi assim antes da Segunda”, observa o empresário e criador do podcast “Lapo”, em declarações ao The Blind Spot.

António Guerreiro critica também a “manipulação emocional” que considera ter-se inflitrado em tudo; desde a escola ao trabalho e às redes sociais. “Chamam-lhe progresso, mas é apenas a normalização do conflito” afirma.

Organizadores querem espalhar mensagem de fraternidade e paz

Foi no contexto deste clima ‘bélico’ e perigoso que surgiu a ideia para a caminhada, como explicam os promotores no comunicado de imprensa:

“A iniciativa tem como objetivo enviar uma mensagem de consciência, fraternidade e paz, num período em que as decisões dos principais líderes políticos mundiais poderão afectar de maneira muito significativa a paz e a estabilidade mundiais. Trata-se de uma acção cívica, pacífica, inclusiva e apartidária, aberta a todas as pessoas, famílias, organizações e comunidades que desejem apoiar a causa da paz.”

A quem queira participar, é pedido que leve uma indumentária com cores claras, além de velas e flores brancas – flores que serão depois lançadas ao rio, “para que levem ao mundo inteiro uma mensagem de esperança”.

No manifesto da iniciativa, os organizadores afirmam que “o mundo não foi criado para a guerra, mas para a comunhão entre todos os seres”, e que “cada gesto da caminhada — cada vela acesa, cada flor entregue — é um acto de esperança, compaixão e compromisso com a vida, tornando Lisboa, por um dia, farol de reconciliação e fraternidade para a Europa e o para o Mundo”.

E refutam a tese de que a paz possa ser proclamada por decreto. “Nenhuma lei, nenhum tratado, nenhuma convenção pode semear liberdade ou harmonia”, sublinham.

No documento, defendem ainda que “a Terra não é um tabuleiro de xadrez”, que “Portugal não pode calar-se diante do sofrimento que ecoa no planeta”, e que “não há paz que se construa com tanques”, fazendo um apelo aos governantes para que usem a diplomacia, uma vez que “a guerra não tem vencedores”.

Num apelo à união, afirmam ainda que “Somos todos irmãos, para além de convicções, raça, religião, nacionalidade ou posicionamentos políticos”.

E, com o evento, que pretendem que seja um “momento profundamente simbólico, de meditação e oração pela paz”, o grupo acredita que “Lisboa tornar-se-á, por algumas horas, ponte entre o passado e o futuro, entre a terra e o mar, cultivando atenção à consciência e ao valor da paz”.

Além de Paulo Borges e António Guerreiro, fazem também parte da organização o astrólogo e escritor Luís Resina, o investigador e conferencista André Louro de Almeida e a professora de Yoga Lina Chambel.

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