BBC enfrenta possível processo de mil milhões após denúncias de várias manipulações contra Trump

BBC deverá responder em breve.

Além da manipulação do discurso de Donald Trump, o ex-funcionário da BBC, Michael Prescott, relata várias situações que reflectem um viés estrutural contra o republicano e a favor de Kamala Harris durante as eleições presidenciais de 2024. Desde um ‘empolamento’ de uma sondagem pouco fiável que dava vantagem a Harris à deturpação das palavras do presidente norte-americano. Agora, a emissora britânica está em risco de enfrentar uma acção judicial de mil milhões de dólares.

Além de ter adulterado o discurso de Donald Trump para que parecesse que estava a encorajar os tumultos do 6 de Janeiro de 2021 no Capitólio, a BBC é acusada pelo ex-funcionário Michael Prescott de ter demonstrado um forte enviesamento ‘anti-Trump’ em diversas outras situações.

Prescott relata os episódios, ocorridos durante as eleições presidenciais americanas de 2024, na carta que enviou ao conselho de administração da BBC – e cujas revelações provocaram uma polémica de tal dimensão, que o director-geral do canal, Tim Davie, e a directora de informação da BBC News, Deborah Turness, acabaram por anunciar a sua demissão este sábado.

Todos revelam um padrão comum: uma parcialidade que beneficiava Kamala Harris, adversária de Trump na altura, e desfavorecia o actual presidente norte-americano.

A sondagem a favor de Harris e os programas ‘anti-Trump’

Por exemplo, a BBC terá ‘empolado’ uma sondagem pouco fidedigna que dava vantagem à candidata do partido democrata, ignorando assim “as suas próprias recomendações sobre não dar um peso indevido a uma única sondagem”. O estudo, que terá “dominado a cobertura” da estação televisiva, foi realizado no Iowa dias antes das eleições e indicava que Harris seria vencedora naquele estado americano. A par disso, “outras sondagens que contradiziam os seus resultados eram menorizados”, cita o jornal britânico The Telegraph.

Segundo Michael Prescott, o viés a favor da ex-vice-presidente de Joe Biden também se reflectia numa tendência para enfatizar as causas promovidas pela sua campanha – como o aborto e os direitos das mulheres –, negligenciando-se outros assuntos que terão pesado na escolha dos eleitores, como a economia, o emprego e a imigração.

Ou, ainda, numa verificação de factos que visava desporporcionalmente as “declarações questionáveis” de Donald Trump, e menos as que eram proferidas pela democrata.

O antigo funcionário da BBC, que até Junho desempenhou funções no Comité de Padrões e Orientações Editoriais do canal, afirma, inclusivamente, que a tónica geral dos programas da emissora era “marcadamente anti-Trump/pró-Harris”, e que “não se encontrava um único programa que olhasse de forma mais crítica para Harris e o seu historial do que para Trump”.

BBC deturpou declarações do presidente americano

A BBC é também criticada por ter deturpado afirmações do então candidato presidencial, nomeadamente declarações a respeito de Liz Cheney, uma vocal crítica de Trump dentro do partido republicano que chegou a apoiar Kamala Harris.

A 31 de Outubro de 2024, numa entrevista com o apresentador conservador Tucker Carlson, Trump acusou Cheney de promover a guerra e de “querer sempre ir para a guerra com as pessoas”. E afirmou: “Vamos colocá-la com uma espingarda ali parada, com nove canos a atirar ao rosto dela. OK, vamos ver como é que ela se sente em relação a isso”. Embora as palavras tivessem servido para condenar os políticos que estão “sentados em Washington num belo edifício e querem enviar “10.000 soldados directamente para a boca do inimigo”, foram noticiadas como se Trump estivesse a defender o fuzilamento da republicana.

“Trump estava claramente a criticar os políticos que prontamente enviam tropas dos EUA para a guerra sem pensar no custo humano”, aponta Prescott.

Mas a BBC, seguindo o diapasão da candidatura de Harris, optou por alegar “repetidamente” que o presidente dos Estados Unidos “quer que as pessoas atirem à cara de Liz Cheney”, e defendia que a republicana “devia enfrentar um pelotão de fuzilamento”.

Uma editora da BBC na América do Norte sustentou-se nesta premissa para afirmar que Trump estava “a aumentar a retórica violenta” e a sugerir que “uma das suas opositores políticas devia enfrentar armas”.

Problemas serão ainda mais “generalizados”, diz Prescott

Entre as situações denunciadas na carta, constam também um ênfase “excessivo” que a BBC terá atribuído a declarações falsas do republicano sobre imigrantes haitianos que alegadamente comiam animais de estimação no Ohio – as quais mereceram uma semana de cobertura.

Além disso, Prescott considera que a BBC não cobriu de forma rigorosa as condenações de Trump em Maio de 2024 por falsificação de registos, ao ignorar que a acusação era composta por membros nomeados politicamente; estando assim em causa uma instrumentalização da justiça (‘lawfare’) durante a campanha eleitoral. Algo que o canal britânico não terá enquadrado junto dos seus telespectadores.

Apesar da intensa controvérsia que estas revelações já têm causado – atirando a BBC para uma crise institucional – Michael Prescott sugere que os casos que agora denunciou não terão sido os únicos. “Pelo que testemunhei, receio que os problemas possam ser ainda mais generalizados do que este resumo poderá sugerir”, afirmou.

Trump ameaça BBC com processo de mil milhões de dólares

Na sua rede Truth Social, o presidente americano reagiu à demissão dos dois responsáveis de topo da BBC, agradecendo ao The Telegraph por ter “exposto estes ‘jornalistas’ corruptos”, qualificando-os como “pessoas muito desonestas” e acusando-os de tentarem interferir na eleição presidencial. “Além de tudo, são de um país estrangeiro, que muitos consideram o nosso aliado número um. Que coisa terrível para a democracia!”, acrescentou.

Contudo, as demissões não foram suficientes para Trump, que esta segunda-feira ameaçou avançar com um processo judicial de mil milhões de dólares caso a emissora não faça uma “retratação plena e justa” até sexta-feira. A BBC, por seu turno, já anunciou que irá responder a seu tempo.

Fontes:

Nine ways the BBC misled viewers over Trump

Ver também:

BBC manipulou vídeo para ‘responsabilizar’ Trump pela invasão do Capitólio – The Blind Spot

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