Reino Unido: Dados sobre mortalidade e vacinas covid não divulgados por risco de “angústia e raiva” das famílias

O antigo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante a crise da covid-19.

Após dois anos de pedidos formais, as autoridades de saúde britânicas mantêm a recusa de publicar dados anonimizados sobre o excesso de mortalidade vivido no país desde 2020 e a vacinação contra a covid-19. A Agencia de Saúde do Reino Unido argumenta que a sua publicação poderia provocar “angústia ou raiva” entre os familiares e amigos das vítimas, caso se verificasse uma relação entre as vacinas e as mortes. A decisão, contestada por parlamentares e pelo movimento UsForThem, foi entretanto validada pelo regulador de acesso à informação.

As autoridades de saúde do Reino Unido recusam divulgar dados sobre o excesso de mortalidade que se tem verificado no país desde 2020, e que pode estar associado à vacinação contra a covid-19. Embora essas bases de dados tenham sido disponibilizadas às farmacêuticas que fabricaram as vacinas, não foram ainda divulgadas ao público, com a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês) a justificar que a sua publicação poderia causar “angústia ou raiva” aos familiares das vítimas caso houvesse alguma ligação.

A entidade de saúde afirmou ainda que a divulgação dos dados poderia “originar desinformação” e teria um “impacto negativo na adesão vacinal”, além de causar danos ao bem-estar e à saúde mental dos familiares e amigos enlutados, segundo reportaram os jornais britânicos Daily Mail e o The Telegraph.

O pedido para a publicação dos dados foi iniciado pela organização activista criada durante a crise da covid UsForThem, no âmbito das leis de acesso à informação, e em articulação com um grupo interpartidário de 21 membros do Parlamento. No entanto, após um processo de dois anos, a recusa da agência de saúde governamental foi validada pelo órgão público responsável pelo acesso aos dados e à informação (o Information Comissioner’s Office).

Grupo de parlamentares enviou carta às autoridades sanitárias

Numa iniciativa do UsForThem, o grupo de parlamentares enviou, no ano passado, uma carta à Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido e ao Departamento de Saúde, onde defendeu a divulgação dos dados “potencialmente críticos” que esquematizam as datas em que os britânicos tomaram a vacina covid e as datas das suas mortes. Salientando-se ainda o facto de as farmacêuticas terem essas informações na sua posse, mas não o público.

No entender dos deputados, os dados deviam ser tornados públicos “com o mesmo grau de anonimato com que foram partilhados com os grupos farmacêuticos, e não parece haver nenhuma razão plausível para que isso não seja feito imediatamente”.

De facto, as entidades sanitárias também tinham argumentado, para sustentar a sua recusa, que havia o risco de os falecidos poderem ser identificados – mas o pedido já salvaguardava essa questão, tendo sido solicitado que os dados fossem anonimizados.

UsForThem critica recusa apoiada pelos tribunais

Em declarações ao The Telegraph, Ben Kinglsey, director legal do UsForThem, considerou que a insistência das autoridades em não divulgar os dados “revela uma mentalidade paternalista, que também caracterizou a resposta à pandemia – “faz o que dizemos, não faças perguntas, sabemos o que é melhor para ti”.

“Não sabemos se os dados revelariam algum indício de correlação, quanto mais de causalidade, mas podemos ver que estão desesperados para evitar ter de responder a essa pergunta em público”, observou, acrescentando que “temos de nos perguntar por que razão o público é considerado incapaz de lidar com estes dados”.

Por seu turno, a UKHSA saudou a decisão do tribunal, com um porta-voz a afirmar que “proteger a confidencialidade do paciente é de uma importância crítica. A divulgação destes dados apresentava uma possibilidade real de que pudessem ser usados para identificar indivíduos, o que poderia resultar em grande sofrimento”.

Fontes:

Government ‘withholding data that may link Covid jab to excess deaths’

Ver também:

Vacinas Covid com 23,8 vezes mais notificações de reações adversas do que vacinas tradicionais – The Blind Spot

Testemunhos de reações adversas comprovadas às vacinas covid censurados pelo YouTube – The Blind Spot

Reações adversas das vacinas covid: Governo mantém-se em silêncio sobre indemnizações às vítimas  – The Blind Spot

EUA: 85% dos profissionais de saúde rejeitaram a vacina contra a covid-19 – The Blind Spot

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