Área ardida em mínimos históricos no primeiro semestre de 2026

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O mundo apresenta no primeiro semestre de 2026 valores mínimos do número de incêndios, de área ardida e de anomalias térmicas relacionadas, desde há pelo menos 14 anos. As emissões de carbono associadas a fogos de vegetação apresentam mesmo valores mínimos desde há 24 anos. Apesar da intensa cobertura mediática de incêndios regionais e da sua associação às alterações climáticas, os mínimos históricos ocorrem em praticamente todos os grandes continentes e existe uma tendência decrescente desde pelo menos 2003.

De acordo com os dados do Sistema Global de Informação sobre Incêndios Florestais (GWIS), o primeiro semestre de 2026 está a bater recordes globais negativos, tanto em número de fogos, como em área ardida e anomalias térmicas.

Fonte: GWIS – Statistics Portal (área de interesse- Mundo, consultado em 22 de Julho de 2026)

Valores baixos em todos os continentes

Além disso, o fenómeno acontece em todos os maiores continentes no primeiro semestre de 2026. África, Europa e América registaram valores nunca registados nesta altura do ano desde 2012. A Oceânia igualou os registos mínimos, enquanto o continente asiático registou dos valores mais baixos desse período.

Mínimos de emissões de carbono desde há 23 anos

Entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2026, as emissões da queima de biomassa ficaram ligeiramente abaixo de 400 milhões de toneladas de carbono. Foi o valor mais baixo para um primeiro semestre em toda a série do Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), iniciada em 2003.

Tendência global de quebra nos incêndios florestais

A tendência de redução já vem de longe. Se recuarmos no tempo, podemos verificar que essa queda acontece há pelo menos 24 anos (desde 2002).

Fonte: Global Wildfire Information System. Visualização e processamento secundário: Our World in Data. Série MODIS, 2002-2024

Cobertura mediática

Apesar destes dados, a cobertura mediática dos fogos florestais tem-se mantido intensa ou até aumentado, muitas vezes associando-os às alterações climáticas.

Fonte: Link between raging wildfires and climate change is greater than ever : NPR

O que os dados oficiais revelam, apesar de naturais diferenças, temporais e geográficas, é um claro decréscimo de incêndios nas últimas décadas. Algo que é sistematicamente omido.

Fontes:

GWIS – Global Wildfire Information System

Lowest global biomass burning emissions on record during the first half of 2026 | Copernicus

Ver também:

Incêndios em mínimos históricos em 2025 – The Blind Spot

Investigação Nature: Desde os anos 70 que a temperatura global não regista acelerações estatisticamente detetáveis – The Blind Spot

Europa mantém valores mínimos de área ardida em 2024 – The Blind Spot

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