Estudo: Redes sociais estão a prejudicar o desenvolvimento cerebral das crianças

Os jovens portugueses passam, em média, mais de três horas por dia nas redes sociais.

Um estudo publicado na revista Journal of the American Medical Association revela que quanto mais tempo as crianças e os pré-adolescentes passam nas redes sociais, pior é o seu desempenho cognitivo. Os investigadores, que acompanharam mais de 6.500 menores entre os 9 e os 13 anos, concluíram que até mesmo uma hora diária nestas plataformas pode comprometer as suas capacidades cerebrais, como a memória, a leitura e a linguagem.

Quanto mais tempo as crianças e os pré-adolescentes passam nas redes sociais, mais comprometida fica a sua capacidade cerebral. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA), que acompanhou crianças entre os nove e os 13 anos, e verificou que o uso precoce destas plataformas tem consequências negativas a nível cognitivo, piorando significativamente o seu desempenho em testes de leitura, vocabulário, memória e linguagem.

Os investigadores analisaram os dados de 6.500 crianças para avaliar o seu desenvolvimento cerebral no âmbito de um projecto desenvolvido ao longo de vários anos nos Estados Unidos (EUA): o Estudo Nacional de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD). Os testes foram realizados pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.

E os resultados mostram uma relação proporcional e inequívoca entre o tempo despendido nas redes sociais e o declínio cognitivo: ao fim de dois anos, as crianças que praticamente não as utilizavam foram as que se saíram melhor nos testes, enquanto as que passavam apenas uma hora por dia, já apresentaram uma queda de um a dois pontos; e naquelas cuja utilização se situava entre as três e as quatro horas diárias, o declínio atingiu os quatro pontos.

De facto, o principal autor do estudo, o professor de pediatria na Universidade da Califórnia Dr. Jason Nagata, afirmou que “mesmo baixos níveis de uso de redes sociais estavam associados a um desempenho cognitivo mais baixo”. Citado pelo jornal The Objective, Nagata afirmou que, no início da adolescência, o cérebro pode ser particularmente sensível a esta exposição às redes, salientando por isso que é importante que a sua introdução seja supervisionada e adequada à idade.

As crianças analisadas foram divididas em três grupos: cerca de 58% quase não usava redes sociais, 37% utilizava uma hora por dia, e 6% até três horas por dia.

Estudos têm apontado declínio da saúde mental dos jovens com redes sociais

Outros estudos recentes também têm mostrado um impacto negativo das redes sociais na saúde mental dos mais jovens, evidenciando a necessidade de regular o seu uso, sobretudo em estágios iniciais do desenvolvimento infanto-juvenil.

Foi o que concluiu, por exemplo, um estudo com mais de 100 mil jovens americanos, publicado este ano no Journal of Human Development and Capabilities. Os resultados indicaram que a utilização precoce de smartphones (antes dos 13 anos) prejudica a saúde mental em idade adulta e aumenta a probabilidade de pensamentos suicidas, agressividade, desconexão da realidade, instabilidade emocional ou baixa autoestima.

Aparentemente, as jovens mulheres (entre os 18 e os 24 anos) foram mais afectadas que os rapazes, em particular nos indicadores de autoestima e resiliência emocional. No entanto, os rapazes também apresentaram menos estabilidade, autoconfiança e empatia com o uso de smartphones.

Além disso, a probabilidade de os menores de 13 anos sofrerem perturbações de sono, cyberbullying e piores relações familiares também aumentou.

Jovens portugueses passam horas nas redes

Apesar dos indícios crescentes do impacto negativo das plataformas digitais nos mais novos, em Portugal os dados existentes sugerem que os adolescentes passam largas horas nas redes sociais. Um inquérito da DECO Proteste divulgado no início deste mês obteve as respostas de 602 jovens entre os 12 e os 17 anos, com um terço a assumir uma utilização superior a quatro horas diárias. A média fica ligeiramente abaixo, sendo de mais de três horas por dia.

Fontes:

Social Media Use Trajectories and Cognitive Performance in Adolescents | Adolescent Medicine | JAMA | JAMA Network

Un estudio revela que el uso de las redes sociales antes de los 13 años atrofia el intelecto

Smartphones lead to ‘suicidal thoughts, low self-worth and aggression’ in children under 13, study | EuronewsJovens portugueses passam mais de três horas por dia na net

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