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O impacto do medo e do stress na gestão de crises

Em Março faz 10 anos que se passaram do desastre nuclear de Fukushima Daiichi. Este desastre matou directamente 1 pessoa[1], apesar de todo o pânico e mediatismo que se espalhou por todo o Mundo e o medo da radiação que é algo que não se vê. O mesmo aconteceu com o desastre de Chernobyl, que matou directamente 31 pessoas, mas durante anos deu origem a filmes e séries altamente dramáticas sobre o acontecimento.

Depois existem os diversos estudos que tentam contabilizar óbitos ou efeitos na saúde a longo prazo, mas que em todos estes eventos não conseguem chegar a nenhuma conclusão. Foi o suficiente para se eliminar durante décadas o debate sobre o tema da energia nuclear e os avanços da tecnologia, especialmente no que toca à segurança.

Este tema, de certa forma, tem algum paralelismo com o tema da Pandemia quando existe medo instalado em torno de algo que não se vê nem se controla diretamente: a radiação e um vírus.

No último acidente nuclear mais estudado, Fukushima Daiichi, houve uma evacuação de centenas de milhares de pessoas, onde obviamente parte dessa população idosa teve de ser realojada. Foi verificado um aumento de mortalidade significativo na população evacuada [2][3] causado pelo “stress” nas pessoas mais velhas.

Situações que causam elevada pressão na população idosa estão normalmente associadas a um aumento de mortalidade consequente. Naturalmente, eventos que levam a desalojar pessoas de idade das suas casas terá esse efeito indesejado.

Na actual Pandemia, um pouco por todo o Mundo, houve regras muito apertadas nos lares onde está o maior grupo de risco de morrer de COVID-19 – os idosos – muitos deles com  uma ou várias patologias associadas.
Na maioria destes locais, as visitas familiares foram limitadas ou até proibidas durante um período de tempo, houve isolamentos, quem testasse positivo tinha que ser isolado num quarto bem como todos os seus contactos, além de todo o aparato causado pelas medidas de higiene e protecção do pessoal que trabalha nos lares.

Há um excesso de mortalidade em muitos países do ocidente, na grande maioria pessoas de idade que viviam em lares e parte dessa população sem qualquer associação a COVID-19. Esta situação levanta várias questões que requerem investigação e estudo. É preciso avaliar as medidas implementadas e evitar que situações idênticas se repitam tendo em conta as consequências que certas medidas podem ter na população mais idosa.

Não deve a sociedade ficar com a explicação leviana de que a grande maioria morreu de COVID-19. Ao aceitarmos dessa forma esta justificação corremos o risco de voltar a repetir os mesmos erros que podem causar aumento de mortalidade, e também branquear erros graves que devem ser corrigidos camuflados por um óbito carimbado como COVID-19 como causa única.

É necessário racionalidade, responsabilização e debate de soluções para que situações destas não se repitam. Afinal, fechou-se a sociedade e pediu-se a todos para ficar em casa, quando na realidade os que já estavam confinados há muito tempo nos lares foram uma das principais vítimas.

*Rui Lima, Gestor

**Texto de opinião escrito sem acordo ortográfico

Referências

  1. https://www.bbc.com/news/world-asia-45423575
  2. https://www.nrc.gov/docs/ML1234/ML12340A564.pdf
  3. https://www.sciencedirect.com/sdfe/pdf/download/eid/1-s2.0-S0033350612003800/first-page-pdf

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