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Gestão de hospitais (2ª vaga): 10 perguntas que estão por responder

A descrição de uma situação de rotura na capacidade de resposta hospitalar devido à pressão de doentes Covid contrasta com alguns dos dados oficiais.

Segundo estes, os números gerais foram na maioria dos casos publicados, significativamente inferiores.

Fonte: Portal da Transparência SNS – Atividade nos Cuidados Saúde Hospitalares (Monitorização Sazonal)

De 2019 para 2020, a ocupação média passou de cerca de 1 500 para perto de 1 000. Uma quebra de mais de 33%. Tendência que se mantém em 2021.

Fonte: Portal da Transparência SNS – Taxa Anual de Ocupação em Internamento

Mesmo no mês de janeiro, em que se atingiu o valor mais elevado desde abril de 2020, a taxa de ocupação reportada foi de 81,5%. Esse valor é mais baixo do que em qualquer outro mês em período pré-pandémico, exceto em março quando se iniciou a queda acentuada.

Fonte: Portal da Transparência SNS – Taxa de Ocupação Hospitalar (Lotação Média Praticada)

Quanto à lotação média praticada, após uma queda acentuada desde o início da pandemia, começou a aumentar a partir de agosto. Em janeiro de 2021 atingiu o pico de lotação média de 452,4 (com os dados disponíveis). Um pouco superior a janeiro de 2018, 2019 e 2020, mas um pouco inferior a Janeiro de 2015, 2016 e 2017. Inferior igualmente a vários outros picos em diferentes meses.

1.Quais os motivos para que, com uma taxa de ocupação inferior, existissem relatos de rotura de serviços? Gestão da distribuição de doentes, gestão de recursos existentes, especificidades no tratamento da doença, falta de recursos humanos, protocolos e procedimentos, falta de medicamentos, ou outros?

2. Com que critérios foram definidos “casos Covid” em ambiente hospitalar? Doentes com sintomas compatíveis, independentemente de teste positivo? Pessoas com teste positivo, independentemente de sintomatologia?

3. Que tipo de testes foram feitos? No  caso dos PCRs, que protocolos foram usados para se considerar um caso positivo? Foram repetidos os testes com nova recolha de amostra nos casos assintomáticos, de acordo com a  indicação da OMS? Qual foi o protocolo para ser dada alta médica aos doentes que tiveram, em algum momento, um teste positivo?

4. De acordo com o Barómetro de Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), na primeira vaga, até 5 de maio de 2020, 18% dos 810 doentes internados com Covid-19 estavam em situação de internamento inapropriado – ausência de sintomatologia, elegíveis para alta clínica e sem motivos de saúde que justifiquem a sua permanência em ambiente hospitalar. Qual foi a percentagem de internamentos sociais (20) a partir dessa data até agora?

Urgências

Fonte: Portal da Transparência SNS – Atendimento Urgência Hospitalar

Quanto às urgências gerais, existiu uma queda acentuada desde o início da pandemia (Março de 2020). De Janeiro a Março de 2021 existiram sempre no mínimo cerca de 110 mil urgências registadas, em 2020 esse valor foi cerca de 88 mil.  Ou seja, existiu uma redução de 22%.

Em 2021, os valores continuam históricamente baixos. De Janeiro a Março de 2021 foram registadas uma média de urgencias geral de 18 000 enquanto a média entre 2013 e 2019 é de pouco menos que 28 000. Ou seja, uma redução de cerca de 25% em relação à média dos últimos anos.

Tendência que embora menos acentuada, se verificou também nas emergências mais graves (vermelha, laranja e amarela) e em cada um desses meses.

5. Como se justifica a redução de urgências, mesmo das graves, em relação a anos anteriores, durante uma onda de frio e com uma prevalência elevada de pessoas infetadas pelo Sars-COV-2?

6. Como se justificam as dificuldades dos hospitais públicos em atender as urgências quando a afluência foi significativamente inferior aos anos anteriores?

7. Que tipo de procedimentos dificultaram o escoamento e o atendimento dos doentes? Que limitações à entrada de doentes nos serviços de atendimento hospitalar? Em que situações os doentes podiam sair das ambulâncias e entrar nas instalações hospitalares?

UCIs

A ministra da saúde fez a seguinte declaração relativamente ao número de camas de UCIs:

Para além dessa capacidade, de acordo com o documento da Associação Portuguesa de Hospitalização privada (APHP) denominado “A Hospitalização Privada em 2020”:

Pelas informações recolhidas, houve pelo menos 14 hospitais privados com apoio direto aos hospitais do SNS, com cerca de 900 camas contratualizadas. Em termos de doentes COVID estavam a ser utilizadas 284 camas, 41 das quais em unidades de cuidados intensivos”, de acordo com documento enviado às redações pela APHP (Hospitalização Privada em 2020 -Trabalhar e servir em ano de pandemia).

Deste modo, no dia com mais internamentos em UCI por Covid estava ocupada cerca de 90% da capacidade relatada pela ministra (sem considerar a ajuda dos privados).

8. Porque é que com muito menos doentes em UCI no pico máximo (904) é relatada uma situação de rutura, mesmo com a desmarcação de atividade programada?

9. Porque não são públicos os dados de ocupação total das UCIs, incluindo aqueles referentes a anos anteriores?

10. Qual foi o reforço na capacidade de resposta do SNS para o Outono- Inverno de 2020-21? Que aumento de capacidade material, logística e de pessoal existiu?

Todas as semanas iremos colocar dez questões que continuam sem resposta sobre dez temas relacionados com a gestão da pandemia em Portugal.

  • Próximo artigo: Excesso de mortalidade: 10 perguntas que estão por responder

Leia também:


Referências:

  1. Twitter TSF (10 de Novembro de 2020) – https://www.tsf.pt/portugal/politica/nao-nos-preparamos-para-o-outono-inverno-sera-verdade-costa-responde-a-criticas-no-twitter-13019129.html
  2. SNS (23 de Novembro de 2020) – https://www.sns.gov.pt/noticias/2020/10/23/covid-19-capacidade-instalada/
  3. Portal da Transparência SNS – Taxa de Ocupação Hospitalar – https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/ocupacao-do-internamento/analyze/?disjunctive.regiao&disjunctive.instituicao&sort=tempo&dataChart=eyJxdWVyaWVzIjpbeyJjaGFydHMiOlt7InR5cGUiOiJsaW5lIiwiZnVuYyI6IlNVTSIsInlBeGlzIjoibG90YWNhb19wcmF0aWNhZGEiLCJjb2xvciI6IiM4ZGEwY2IiLCJzY2llbnRpZmljRGlzcGxheSI6dHJ1ZX1dLCJ4QXhpcyI6InRlbXBvIiwibWF4cG9pbnRzIjoiIiwidGltZXNjYWxlIjoibW9udGgiLCJzb3J0IjoiIiwiY29uZmlnIjp7ImRhdGFzZXQiOiJvY3VwYWNhby1kby1pbnRlcm5hbWVudG8iLCJvcHRpb25zIjp7ImRpc2p1bmN0aXZlLnJlZ2lhbyI6dHJ1ZSwiZGlzanVuY3RpdmUuaW5zdGl0dWljYW8iOnRydWUsInNvcnQiOiJ0ZW1wbyIsImxvY2F0aW9uIjoiNiwzOS40NTU4MSwtOC4xMDM1NCJ9fX1dLCJ0aW1lc2NhbGUiOiJ5ZWFyIiwiZGlzcGxheUxlZ2VuZCI6dHJ1ZSwiYWxpZ25Nb250aCI6dHJ1ZX0%3D&location=6,39.45581,-8.10354
  4. Portal da Transparência SNS – Atendimentos por Tipo de Urgência Hospitalar – https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/atendimentos-por-tipo-de-urgencia-hospitalar-link/analyze/?sort=tempo&dataChart=eyJxdWVyaWVzIjpbeyJjaGFydHMiOlt7InR5cGUiOiJsaW5lIiwiZnVuYyI6IlNVTSIsInlBeGlzIjoidG90YWxfdXJnZW5jaWFzIiwiY29sb3IiOiIjNjZjMmE1Iiwic2NpZW50aWZpY0Rpc3BsYXkiOnRydWV9XSwieEF4aXMiOiJ0ZW1wbyIsIm1heHBvaW50cyI6IiIsInRpbWVzY2FsZSI6Im1vbnRoIiwic29ydCI6IiIsImNvbmZpZyI6eyJkYXRhc2V0IjoiYXRlbmRpbWVudG9zLXBvci10aXBvLWRlLXVyZ2VuY2lhLWhvc3BpdGFsYXItbGluayIsIm9wdGlvbnMiOnsic29ydCI6InRlbXBvIiwibG9jYXRpb24iOiI2LDM5LjQ1NTgxLC04LjEwMzU0In19fV0sInRpbWVzY2FsZSI6InllYXIiLCJkaXNwbGF5TGVnZW5kIjp0cnVlLCJhbGlnbk1vbnRoIjp0cnVlfQ%3D%3D&location=6,39.45581,-8.10354
  5. Portal da Transparência SNS – Atendimentos por Tipo de Urgência Hospitalar- https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/atendimentos-por-tipo-de-urgencia-hospitalar-link/analyze/?sort=tempo&dataChart=eyJxdWVyaWVzIjpbeyJjaGFydHMiOlt7InR5cGUiOiJsaW5lIiwiZnVuYyI6IlNVTSIsInlBeGlzIjoidG90YWxfdXJnZW5jaWFzIiwiY29sb3IiOiIjNjZjMmE1Iiwic2NpZW50aWZpY0Rpc3BsYXkiOnRydWV9XSwieEF4aXMiOiJ0ZW1wbyIsIm1heHBvaW50cyI6IiIsInRpbWVzY2FsZSI6Im1vbnRoIiwic29ydCI6IiIsImNvbmZpZyI6eyJkYXRhc2V0IjoiYXRlbmRpbWVudG9zLXBvci10aXBvLWRlLXVyZ2VuY2lhLWhvc3BpdGFsYXItbGluayIsIm9wdGlvbnMiOnsic29ydCI6InRlbXBvIiwibG9jYXRpb24iOiI2LDM5LjQ1NTgxLC04LjEwMzU0In19fV0sInRpbWVzY2FsZSI6InllYXIiLCJkaXNwbGF5TGVnZW5kIjp0cnVlLCJhbGlnbk1vbnRoIjp0cnVlfQ%3D%3D&location=6,39.45581,-8.10354
  6. Ministério da Saúde -Vigilância de Mortalidade – https://evm.min-saude.pt/#shiny-tab-a_total
  7. Jornal Expresso – https://expresso.pt/coronavirus/2021-01-13-Covid-19.-Despacho-de-Marta-Temido-manda-adiar-cirurgias-prioritarias-incluindo-as-que-estavam-programadas-para-doentes-com-cancro
  8. APAH – 4ª Edição do Barómetro de Internamentos Sociais – https://apah.pt/wp-content/uploads/2020/06/APAH_4%C2%AA-Edi%C3%A7%C3%A3o-BIS_Resultados_vf-com-metodologia.pdf
  9. Ministério da Saúde -Vigilância de Mortalidade – https://evm.min-saude.pt/#shiny-tab-a_total
  10. DGD – Estatística Covid – https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/
  11. Ministério da Saúde – Vigilância de Mortalidade – https://evm.min-saude.pt/
  12. Instituto nacional de Estatística (INE) – Dados preliminares 2020 (Semanas 1 a 52) – https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=471952633&DESTAQUESmodo=2
  13. Portal da Transparência SNS – Morbilidade e Mortalidade – https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/morbilidade-e-mortalidade-hospitalar/analyze/?dataChart=eyJxdWVyaWVzIjpbeyJjaGFydHMiOlt7InR5cGUiOiJsaW5lIiwiZnVuYyI6IlNVTSIsInlBeGlzIjoiZGlhc19pbnRlcm5hbWVudG8iLCJzY2llbnRpZmljRGlzcGxheSI6dHJ1ZSwiY29sb3IiOiIjNjZjMmE1In0seyJ0eXBlIjoibGluZSIsImZ1bmMiOiJTVU0iLCJ5QXhpcyI6ImFtYnVsYXRvcmlvIiwic2NpZW50aWZpY0Rpc3BsYXkiOnRydWUsImNvbG9yIjoiI2ZjOGQ2MiJ9LHsidHlwZSI6ImxpbmUiLCJmdW5jIjoiU1VNIiwieUF4aXMiOiJvYml0b3MiLCJzY2llbnRpZmljRGlzcGxheSI6dHJ1ZSwiY29sb3IiOiIjOGRhMGNiIn1dLCJ4QXhpcyI6InBlcmlvZG8iLCJtYXhwb2ludHMiOiIiLCJ0aW1lc2NhbGUiOiJtb250aCIsInNvcnQiOiIiLCJjb25maWciOnsiZGF0YXNldCI6Im1vcmJpbGlkYWRlLWUtbW9ydGFsaWRhZGUtaG9zcGl0YWxhciIsIm9wdGlvbnMiOnt9fX1dLCJkaXNwbGF5TGVnZW5kIjp0cnVlLCJhbGlnbk1vbnRoIjp0cnVlLCJ0aW1lc2NhbGUiOiIifQ%3D%3D
  14. Correlation between 3790 qPCR positives samples and positive cell cultures including 1941 SARS-CoV-2 isolates – Rita Jaafar, Sarah Aherfi (…) https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32986798/
  15. Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa – 11.11.2020 http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/79d6ba338dcbe5e28025861f003e7b30?OpenDocument
  16. Organização Mundial de Saúde – Diretrizes Internacionais para a Certificação e Classificação (Codificação) da Covid-19 como Causa de Morte – https://www.who.int/classifications/icd/Guidelines_Cause_of_Death_COVID-19-20200420-PT_Apr_24.pdf?ua=1
  17. SNS Conferência de Imprensa Covid-19 (18.04.2020) https://www.who.int/classifications/icd/Guidelines_Cause_of_Death_COVID-19-20200420-PT_Apr_24.pdf?ua=1
  18. Organização Mundial de Saúde -Non-pharmaceutical public health measures for mitigating the risk and impact of epidemic and pandemic influenza – https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/329438/9789241516839-eng.pdf?ua=1
  19. Organização Mundial de Saúde – Non-pharmaceutical public health measures for mitigating the risk and impact of epidemic and pandemic influenza – https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/329438/9789241516839-eng.pdf?ua=1
  20. Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers – Henning Bundgaard, Johan Skov Bundgaard, (…)  – ACPJournals.org https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M20-6817
  21. Organização Mundial de Saúde – Mask use in the context of COVID-19, Interim guidance, 1 December 2020 – https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/337199/WHO-2019-nCov-IPC_Masks-2020.5-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  22. Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers – Henning Bundgaard, Johan Skov Bundgaard, (…)  – ACPJournals.org https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M20-6817
  23. Organização Mundial de Saúde – The three-layer fabric mask (vídeo) – https://www.youtube.com/watch?v=iYE0A-5wd14&feature=emb_logo

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