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O que é a taxa de base (base rate)?

O problema do táxi (exemplo clássico da falácia da taxa de base)

Existem duas empresas de táxis numa cidade: uma tem táxis Verdes, outra táxis Azuis. 85% dos táxis são azuis e 15% são verdes.

Ocorreu um acidente com um táxi. Uma testemunha afirma que o táxi era verde. Foram feitos testes para avaliar se essa testemunha conseguia distinguir as duas cores em circunstância semelhantes. Chegou-se à conclusão que ela tem 80% de probabilidade de conseguir distinguir a cor do táxi.

Qual a probabilidade de o táxi envolvido ter sido realmente verde? 

80? 65? 41? 

Para simplificar vamos fazer as contas por cada 100 táxis. 

Como podemos ver, a probabilidade da testemunha ter visto realmente um táxi verde é inferior à de se ter enganado. Neste caso é de 41% (12 verdes corretos/ (12 corretos+17 incorretos)). A probabilidade de se ter enganado é de 59%.

Este resultado é justificado pelo conceito de taxa de base. Neste caso a taxa de base de táxis verdes era de 15%, percentagem que condiciona bastante a probabilidade da testemunha ter acertado.

A nossa tendência é a de menosprezar evidências iniciais e privilegiar os dados mais recentes. Caímos assim na falácia da taxa de base.

Este tipo de cálculo é fundamental em várias áreas para podermos aferir corretamente a probabilidade de certos eventos e, consequentemente, tomarmos melhores decisões. 

Em tribunal, mesmo testemunhas com grau de fiabilidade elevado também podem ter taxas de erro muito elevadas caso o evento que descrevem seja raro.

Em epidemiologia, caso a prevalência de uma doença seja reduzida, mesmo um teste bastante fiável para a detetar pode produzir bastantes falsos positivos, muitas vezes bastantes mais do que diagnósticos corretos.

Na medicina, quando um teste dá positivo para uma dada doença temos de considerar sempre, além da sua taxa de erro, a probabilidade inicial desse paciente ter a doença. Mesmos os médicos têm por vezes dificuldades nessa avaliação.  

Na área da saúde têm sido revistas muitas recomendações, em parte baseadas na taxa de base. Alguns procedimentos preventivos parecem não ser benéficos quando se consideram as probabilidades reais de diagnóstico correto e incorreto, bem como as vantagens e riscos associados. 

É o caso dos check-ups gerais ou de alguns exames de deteção de cancros em grupos de baixo risco. Muitas destas orientações levantam sempre alguma incredulidade e são por vezes controversas.

Por ser muito pouco intuitiva caímos muitas vezes neste erro de análise (falácia da taxa de base). Decorre de uma heurística (simplificação mental) muito forte e por isso é difícil de evitar. O primeiro passo para o conseguir fazer é conhecermos o fenómeno.

Se quiser ter uma melhor perceção da realidade não se esqueça de levar sempre em conta a taxa de base, ela é realmente importante.

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