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A Comissão Europeia autorizou a introdução de novos insetos para consumo na Europa. A questão polariza a opinião pública, em parte por ser com frequência englobada na discussão sobre alterações climáticas ou consumo de carne. Outro dado relevante é o facto destas autorizações não incidirem no alimento em si, já que apenas empresas específicas o podem comercializar.

A Comissão Europeia declarou os novos produtos de insectos seguros para consumo. A partir de hoje, os grilos domésticos em pó e o pequeno verme da refeição também serão permitidos nos alimentos.

De acordo com o RetailDetail, ao contrário do que tem sido sugerido, estes não são os primeiros insetos autorizados na União Europeia. Em fevereiro do ano passado, a União Europeia validou para consumo humano três espécies de insetos: o grilo-aranha migratório, o verme-aranha amarelo e o grilo doméstico.

Já no início de janeiro, a Comissão aprovou também a utilização de pequenas minhocas para as refeições. O verme pequeno pode ser utilizado como pasta (para barrar), congelado, seco e em pó. As larvas de minhocas em pó servirão também como suplemento alimentar.

Agora, a Comissão Europeia está a acrescentar dois produtos de insetos à lista autorizada. Outros oito pedidos para alimentos de insetos estão atualmente a ser analisados pela UE.

A novidade é que o grilo doméstico também pode ser utilizado agora na forma de pó desengordurado, para além das atuais preparações secas e congeladas. Prevê-se que a farinha de grilo possa ser utilizada para fazer pão, massas, bolachas, cerveja e até mesmo em chocolate, entre outras coisas. A luz verde veio depois de a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar ter verificado o novo pó.

De acordo com a Agência Europeia de Alimentação, os insetos são uma fonte alimentar altamente nutritiva e saudável, sendo ricos em gordura, proteínas, vitaminas, fibras e minerais.

Ceticismo de muitos

Além da questão da repulsa que muitas pessoas têm ao consumo de insetos, existe igualmente muito ceticismo devido à colagem a alguns temas polarizadores, como as alterações climáticas ou a restrição da produção de outras fontes de proteína animal.

Muitos dos números apresentados. como base para a defesa desta conversão alimentar, têm sido contestados, por exemplo em relação ao consumo de recursos ou impacto no aquecimento global.

Dúvidas quanto à informação do consumidor

A Comissão Europeia insiste que os ingredientes devem ser devidamente declarados nos rótulos das embalagens e que os fabricantes devem sempre indicar a que tipo de inseto se refere.

Até porque, tal como é reconhecido, algumas pessoas podem ser alérgicas a alimentos de insetos, especialmente no que diz respeito a quem também é alérgico a crustáceos, moluscos ou ácaros do pó da casa.

No entanto, para alguns isso significa que os europeus podem “em breve encontrar-se a comer insetos sem sequer o saberem”. Isto porque, apesar do regulamento indicar que os alimentos que contêm insetos devem ser rotulados, não se sabe se o destaque será suficiente para serem lidos pelos consumidores.

Autorização de alimento ou criação de “patentes”?

Outra das questões que se pode levantar é sobre se a autorização deve ser dada aos alimentos, em si, ou, simplesmente, a uma dada empresa, impondo desta forma uma espécie de patente.

Tal como o André Dias notou no seu grupo do Telegram, a autorização de comercialização do grilo doméstico foi dada apenas à empresa Cricket One.

Fonte: Publications Office (europa.eu)- Autorizção da colocação no mercado de Acheta domesticus (grilo da casa)

De facto, podemos confirmar que tal se passa com outras espécies de insetos. Por exemplo, a autorização de comercialização da larva-da-farinha amarela (molitor Tenebrio) apenas foi atribuída à SAS EAP Group e a da larva de escaravelho de bolor de grão (Alphitobius diaperinus) apenas foi concedida à Ynsect NL B.V. .

Para André Dias, isso representa “acima de tudo a imposição de “patentes” na comida. O negócio é esse, não são os insetos per si”.

E acrescenta:

“Isto é obviamente a mina de ouro das corporações, que assim corrompem os decisores políticos para terem MONOPÓLIOS ALIMENTARES, logo poder de escravizar populações inteiras.”

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